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Reflexos na America Latina do afastamento de Dilma

O afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff representa um ponto de inflexão no panorama político da América Latina, encerrando um ciclo de poder dominado pela esquerda. A opinião é de especialistas ouvidos pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Segundo eles, governos de tendência política mais liberal devem retomar gradativamente espaço. Uma indicação desse novo direcionamento foi dada na sexta-feira com dois comunicados, quase simultâneos, divulgados pelo Itamaraty. Agora sob o comando do senador José Serra, o órgão rejeitou duramente as manifestações dos governos de Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, além de outras entidades internacionais, sobre o afastamento de Dilma, chamando de “falsas” as interpretações de o impeachment seria um golpe de Estado.

No mesmo dia do afastamento de Dilma, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro chamou de volta o seu embaixador no Brasil.  Na linguagem diplomática, a convocação de um embaixador é considerada um sinal forte de desagrado.  O presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, também não reconhece o novo governo do Brasil, encabeçado por Michel Temer, que assumiu a presidência interinamente após a decisão do Senado brasileiro de iniciar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Ele disse que vai mandar chamar a sua embaixadora para que retorne ao seu país.  O partido de Sánchez, o ex-guerrilheiro Frente Farabundo Martí para Libertação Nacional (FMLN) tem fortes vínculos com o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil. Governos esquerdistas da América Latina têm dito que a líder brasileira é vítima de um golpe de Estado.

Depois de quase 20 anos de governos ditos progressistas na América do Sul, a tendência é que os governos voltem à direita e centro-direita, ou seja, governos mais liberais. Segundo especialistas, foram três os grandes processos que deram forma e impulso à chamada “virada progressista” na América Latina: o chavismo na Venezuela, o petismo no Brasil e o kirchnerismo na Argentina. Ao que tudo indica, esses processos sofrem agora um desgaste incomum, o que está ensejando a mudança. Que começou na Argentina, agora está ocorrendo no Brasil, e cuja tendência é chegar também a Venezuela. Dilma Rousseff foi afastada do cargo por até 180 dias em meio a acusações de violações às leis de responsabilidade fiscal.

Ponto de Vista

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