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Queijeira seridoense com 50 anos de tradição se destaca em premiação nacional

A produção artesanal de queijos, iniciada há 50 anos em um sítio na zona rural de Caicó, no Seridó potiguar, foi reconhecida nacionalmente.

A Queijeira Dona Gertrudes conquistou seis medalhas na 8ª edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada em Blumenau (SC), sendo três delas de ouro.

O negócio, que começou em 1975 com métodos simples, preserva até hoje a essência do trabalho familiar.

Aos 79 anos, Gertrudes Fernandes, fundadora da marca, relembra o início modesto.

“Eu fui morar no sítio e tinha umas vaquinhas. Comecei com 10 litros de leite, fazendo o queijinho na prensa de madeira. O povo foi acreditando e gostando do queijo. Até hoje, eu procuro toda vida manter a qualidade”, contou.

O saber-fazer herdado das raízes do Seridó é passado de mãe para filhos e netos, garantindo que a tradição continue.

“Eu eduquei a todos a qualidade do queijo. Quero que, quando eu não existir, eles mantenham essa qualidade. Não é só fazer de qualquer jeito, é fazer com amor”, disse Gertrudes.

Para ela, o segredo não está apenas na técnica, mas no compromisso com o produto.

“É preciso ter um bom trabalho, ter amor e pedir a Deus que me ajude. Eu quero que vá crescendo. Hoje, eu quase não trabalho, mas quero que meus filhos continuem”, acrescentou.

A filha e empresária Alane Fernandes explica que, ao longo dos anos, a queijeira buscou profissionalização e se tornou a primeira registrada no Rio Grande do Norte.

“Esse pioneirismo veio com muitas dificuldades, numa época sem acesso à informação. Mas conseguimos vencer barreiras para manter a tradição e, ao mesmo tempo, melhorar processos”, relembra.

Segundo Alane, a qualidade começa na matéria-prima. “O segredo de um queijo premiado começa no leite, no trabalho com o produtor. A valorização do que é produzido no curral é fundamental. Não basta saber fazer, é preciso ter insumos de qualidade.”

A Queijeira Dona Gertrudes já soma diversas premiações em concursos nacionais.

“No ano passado foram cinco medalhas, este ano já são seis. Isso mostra que nossos produtos, não apenas um item, mas toda a linha, conseguem agradar e levar a marca do Seridó para o Brasil”, afirmou Alane.

Além de um negócio, a produção de queijos é parte da cultura regional. Para Gertrudes, essa identidade sempre foi prioridade.

“Eu quero saber da qualidade e atender o público com um produto que represente a nossa terra. Meu compromisso é manter a tradição”, disse.

A família acredita que a história da queijeira é também a história do Seridó.

“Nós amamos fazer queijo e amamos Caicó. É uma terra de povo trabalhador, que tira leite de pedra. Essa é a essência que queremos manter”, completou Alane.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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