QUASE SEMPRE LEVANDO VANTAGEM –
Quando Germinia passava alguns dias sem dar notícias, Jesualdo já sabia que a sua sobrinha estava aprontando alguma situação.
Certo dia, acompanhada por comitiva de amigos, hospedou-se em hotel de luxo na sertaneja cidade de Piranhas em Alagoas, ocupando apartamentos reservados previamente em nome da Embaixada da Abissínia (país que deixou de existir desde 1974, passando a se chamar Etiópia). Os gastos seriam pagos quando da saída da delegação.
Chegaram usando trajes loucos, falando um idioma sem nexo que inventaram. E enquanto lá estiveram, comeram, beberam do bom e do melhor, enquanto o gerente do estabelecimento hoteleiro, só faltava lamber o chão para a falsa embaixatriz.
Em outra oportunidade, Germinia sabedora da existência de um prédio todo construído em estrutura metálica aparente, desocupado e abandonado, localizado na orla do Pontal da Barra em Maceió, resolveu ganhar uns trocados com a situação.
Sempre elegante, visitou estabelecimentos que compram ferro velho para revenda, e se passando como autoridade pública, convidava o proprietário para uma visita ao imóvel e oferecendo as ferragens por uma pechincha, para emprestar veracidade à negociação, cobrava até uma propina de dez por cento em cima do valor da negociação.
Germinia vendeu doze vezes o mencionado prédio, recebia a metade do valor adiantado e o restante quando o terreno estivesse limpo. Quando o comprador chegava para demolir aquilo que imaginava ser seu, a polícia aparecia e impedia a operação.
Nesse golpe, Germinia nunca chegou a ser presa, mas foi alvejada por três tiros desferidos pela pistola de uma de suas vítimas, projeteis esses que graças ao divino Espirito Santo, afirma Jesualdo, não a acertaram.
Sem espaço para atuar na capital, foi residir em Santana do Ipanema, interior alagoano. Nessa época a criatura já era especialista em enganar e achava que seria capaz de nocautear até outros golpistas.
Certo dia recebeu a visita de um cidadão que imaginou tratar-se de mais um matuto da terra que tem a avó de Jesus, como padroeira. Este lhe ofereceu a baixo custo uma autentica máquina de fazer dinheiro.
Inicialmente Germinia teve a certeza de que o interiorano estava querendo lhe dar um golpe. Mas por incrível que pareça, ao testar a engrenagem, a mesma funcionava corretamente, sempre dela saindo notas de até cem reais, todas verdadeiras.
O bestinha pediu cinco mil pela peça, ela ofereceu três, e acabou comprando por quatro. Tinha a certeza de havia realizado uma grande transação. Dia seguinte foi testar novamente, e para sua surpresa somente mais algumas notas foram produzidas.
Levando a caixa metálica, em uma oficina para ser aberta cuidadosamente, verificou que no seu interior havia espaço para armazenar cinco notas de cada uma das produzidas pelo banco central, exceto as de duzentos reais, e o estoque havia acabado.
Indignada Germinia foi à delegacia oferecer queixa do ocorrido, indicando como vendedor culpado, o sacristão de uma das igrejas da cidade, foi presa pelo delegado por tentativa de fraude contra o erário.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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