QUASE CARETAS –
Volta e meia retomo com minha mania de fazer comparações entre hábitos de ontem e de hoje. Não sou retrógrado. Talvez um pouco conservador com relação aos bons costumes de antigamente. Acato, na sua totalidade, o pensamento de Stephen Hawking – cientista britânico falecido em 2018, aos 76 anos de idade. Ele sentenciou que “Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança”.
Alardear não ser preconceituoso e exaltar a parte negativa que induz determinadas práticas para desestabilizar a unidade familiar não é modernismo, no mínimo, é burrice. Nada substitui o poder dos bons costumes da tradição familiar, consolidado na transferência desses conceitos de pai para filho, geração após geração.
Tentar romper essa formidável conexão invisível é promulgar o enfraquecimento da célula mãe da sociedade. Os exemplos estão aí à solta para nos mostrar o estrago decorrente de levar adiante essa prática perniciosa.
No meu entender, a pílula anticoncepcional foi o pivô determinante da mudança comportamental deflagrada na segunda metade do século passado. Em 50 anos vimos ruir condutas ancestrais, com a mesma facilidade do desmonte de castelos de areia. Claro! Era o progresso no seu processo evolutivo.
Instada a ter o domínio do próprio corpo a jovem pôde dar o seu brado de independência e trilhar caminhos nunca dantes imaginados. A música rebelde, as drogas alucinógenas, o Festival de Woodstock e 1968 – “o ano que não terminou” -, aceleraram o processo de fomentar a revolução sexual em ebulição.
Delinearam-se no seio da família duas opções distintas: aceitar a alteração de costumes proposta pelo momento e manter o lar intato ou fingir nada ver. A partir daí começou a complexa adaptação ao novo padrão de conduta feminino.
Num primeiro instante fumar e parecer fútil diante dos pais, usar saias mínimas, ir a festas a sós ou na companhia apenas de amigas ou de namorados, viajar no falso encanto das drogas e dançar ao som dos Beatles e dos Rolling Stones.
Em estágio mais avançado a jovem quis viver a sua própria vida. Morar sozinha ou com o “namorido” de ocasião, parir ou abortar produções independentes sem ligar para opiniões alheias e experimentar emoções diferentes enfrentando desafios em plagas desconhecidas. O limite? Igualar-se ao sexo oposto quanto a oportunidades e direitos.
Sim, a mulher chegou ou quase alcançou, na totalidade do desejado, o patamar que almejava. Já o patriarca, com receio de o núcleo familiar se esfacelar, a duras penas procurou se amoldar à nova realidade. Tornou-se… Como diremos?… Um quase careta! Isto mesmo, pois quase sempre discorda, estrebucha, reclama, mas, quase sempre capitula e acata a mudança em nome do bem-estar no lar.
Acontece que a jovem após desfrutar da liberdade conquistada, quase sempre deseja casar – o véu e a grinalda podem ser caretas, porém, para elas, são essenciais na ocasião. Espera constituir família e orientá-la à sua maneira sem os traumas de infância que alega não esquecer. Entretanto, condena nos filhos as práticas deturpadas que ela própria experimentou, gostou, abusou e depois rejeitou. Aleluia!
“Criam-se filhos negando-lhes as vontades!” – ouvi certa vez de um pai de criação rigorosa. Nem tanto nem tão pouco. Eliminando excessos, os bons costumes familiares de antigamente marcarão positivamente a existência dos filhos, agora e sempre. Ser um quase careta, se bem não fizer, mal também não fará.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro e Escritor
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