QUANTO VALE A LIBERDADE? – Luiz Serra

QUANTO VALE A LIBERDADE? –

O mundo se estarreceu quando as tropas de Hitler ludibriaram a (até
então) Linha Maginot francesa e, contornando, ocuparam a França em
maio de 1940. O mundo sobressaltado com a eclosão da Segunda Guerra
Mundial.

Sonho de defesa, que custou mais de um milhão de francos franceses, e
levou dez anos para ser erigida. O mundo passou a conhecer a
inexpugnável linha Maginot de casamatas de aço que fortificavam todas
as fronteiras da França, e voltadas para a Alemanha.

Era um complexo de defesa com intrincadas vias subterrâneas, pesados
obstáculos, baterias blindadas em degraus de pedra no solo profundo,
centenas de postos de observação feitas com abóbadas blindadas.
Grandes paióis de munições em túneis bem abaixo da superfície.
Concebida por André Maginot, que foi soldado francês gravemente ferido
na I Grande Guerra, e se tornou membro do Parlamento Francês.

A tragédia!

O sistema ajudou no início da guerra. No entanto o mundo se assustou
quando generais nazistas executaram a tática de guerra chamada
Blitzkriege fazendo os tanques contornarem as linhas de defesa das
Ardenas.

O mundo viu o território da liberdade subjugado, que somente seria
libertado pelas tropas maciças aliadas em 1944. O Exército do Brasil e
a FAB tiveram parte na história.

Luzes da Liberdade! Aconteceu em 1943. Nos céus da Paris ocupada, com
administração militar franco-alemã. De repente surgiram caças ingleses
Spitfires da heroica RAF, Royal Air Force, a considerada força aérea
independente mais antiga do mundo.

Não houve ataque, apenas os ágeis caças passaram em altitude e
soltaram pilhas de papéis que continham uma poesia de Paul Éluard,
poeta amigo de Manuel Bandeira, quando 1914, ambos colegas em um
sanatório em Clavadel, na Suíça, para tratarem da tuberculose.

Entrou em ação a poesia! Ver esta suma da poesia histórica, traduzida
por Bandeira e Drummond, letras inesquecíveis para os franceses e
europeus, que viviam nas sombras da restrição do bem maior da
humanidade: a liberdade!

Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome

Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome

(…)
Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome

Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome

E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar

Liberdade.
….. <> Paul Éluard

(Da obra “Une Seule Pensée” – Um Único Pensamento, esse texto foi
transportado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para
a Inglaterra).

 

 

 

Luiz Serra – Professor e escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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