QUANTAS BALANÇAS VOCÊ TEM? – Ana Luíza Rabelo

QUANTAS BALANÇAS VOCÊ TEM? –

Eu sou, particularmente, uma interessada e estudiosa no que diz respeito aos chamados ditados ou ditos populares. Em sua maioria, são frases engraçadas e realistas que retratam uma visão simplista, porém completa e comprovada, da realidade. Existe um, em particular, que tem me chamado a atenção pelo número de vezes que o ouço, ou mesmo o repito mentalmente, e pela verdade existente em tão poucas palavras: “Devemos usar a mesma balança para comprar e para vender”.

Uma frase simples e lógica, que vai além do caráter comercial que se mostra a princípio. Invade, inadvertidamente, o campo das relações pessoais, da justiça e da lei do retorno.  Usar a mesma balança ou os mesmos pesos em todas as situações da vida é uma questão de equilíbrio, de respeito ao próximo e a si mesmo e de justiça para com as leis da vida.

Isso significa que devemos usar os mesmos critérios em todas as situações, sem “aliviar” para o nosso lado ou “pesar a mão” para o lado do vizinho, porque agir assim é presumir, avaliar a conduta alheia.

É uma questão profunda que envolve julgar (ou optar por não julgar) o próximo e suas atitudes. O lugar do juiz (da vida) nem sempre é confortável e, por sua visibilidade, acarreta uma reciprocidade que pode não ser apreciada, por isto deve ser feita com acuidade e moderação.

Uma lição composta por poucas e simples palavras, mas cujo ensinamento pode servir para toda uma vida. Tratar o próximo e suas escolhas da mesma forma que desejaríamos ser tratados diante daquela situação. Impedir que conceitos prévios e nem sempre retos nos levem a agir de forma inconstante, volúvel.

A mutação de pensamentos é comum e saudável, dizendo respeito à nossa evolução enquanto seres inacabados e imperfeitos, mas a alteração desequilibrada e desordenada de ideias é inútil, não favorece o aprimoramento pessoal e pode nos levar a cometer injustiças, muitas vezes, irreparáveis. Devemos sim, mudar de ideia, mas com o único objetivo de aprender, melhorar e evoluir, nunca para ser injusto, e jamais para desestabilizar os esforços do próximo.

O equilíbrio e a boa fé devem povoar nossos pensamentos e ações. Deixá-los de lado por, mesmo que poucos, momentos, pode trazer sérios prejuízos a muitas pessoas ao nosso redor e a nós mesmos. Pensar antes de agir, de falar e de julgar (e, se possível, não julgar) e, ao invés de se pôr no lugar do próximo, colocar o amor, são ações que podem nos ajudar a diminuir a coleção de balanças. Porque o amor, como sabemos, não condena, ele apenas compreende que a vida é uma via de mão dupla, permitindo uma volta a tudo o que vai.

 

Ana Luíza Rabelo Spencer, advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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