QUANDO O VALOR SE PERDE NA ROTINA! – Raimundo Mendes Alves

QUANDO O VALOR SE PERDE NA ROTINA! –
Você Está Vendo o Amor que Está Diante de Você?

Há cenas do cotidiano que, à primeira vista, parecem banais, mas carregam em si lições profundas sobre as relações humanas — especialmente sobre o amor, o afeto e o valor que damos ao outro. Imagine a seguinte situação: a esposa está no supermercado escolhendo cuidadosamente as frutas que quer levar para casa. Toca, observa, seleciona com atenção cada uma delas. Coloca-as em uma sacola. Minutos depois, sem que ela perceba, o marido pega essa mesma sacola e a entrega novamente a ela. O resultado? Ela rejeita as frutas que ela mesma escolheu.

Pode parecer um gesto sem importância, quase cômico, mas essa simples atitude simboliza uma realidade muito maior e dolorosa que se manifesta silenciosamente em muitos relacionamentos: o valor do que vem do outro é muitas vezes reduzido, mesmo que seja exatamente aquilo que desejamos.

Quando o afeto perde o brilho
No início de uma relação, gestos simples — um café na cama, uma mensagem carinhosa, uma surpresa no meio do dia — são recebidos com entusiasmo e gratidão. Com o tempo, porém, a rotina se instala, e aquilo que antes emocionava passa a ser visto como obrigação, dever, ou até mesmo “falta de novidade”.

A metáfora das frutas mostra isso com clareza: não é a fruta que perdeu o sabor — é o olhar que deixou de reconhecê-lo. Assim também acontece com o amor. Ele continua ali, presente, sendo oferecido, mas quando embalado nas mãos de quem está sempre ao nosso lado, muitas vezes deixa de ser valorizado.

O reflexo do desinteresse: o problema não está no gesto
Ao rejeitar as frutas escolhidas por ela mesma, a esposa não está rejeitando o alimento, mas a forma como ele foi entregue. De forma inconsciente, ela diz: “Não quero isso vindo de você.” E é exatamente isso que ocorre quando desvalorizamos as atitudes do parceiro ou da parceira apenas porque elas vêm da pessoa que está conosco todos os dias.

Essa rejeição revela algo profundo: o problema não está no que recebemos, mas em como passamos a enxergar quem nos entrega.
O amor, o carinho, a presença — tudo isso pode perder o brilho não porque mudou, mas porque nossos olhos se acostumaram e já não enxergam mais com gratidão.

Quantas vezes rejeitamos o que pedimos?
Quantas vezes reclamamos da falta de atenção, mas ignoramos quando ela é oferecida?
Quantas vezes pedimos compreensão, mas rejeitamos quando o outro tenta nos entender?
Quantas vezes sonhamos com alguém presente, mas não valorizamos quando essa presença se torna constante?

A verdade é que, assim como a esposa com as frutas, muitas vezes rejeitamos exatamente aquilo que pedimos ao universo, só porque veio pelas mãos de quem amamos.

Valorize antes que seja tarde
O que destrói muitas relações não é a ausência de amor, e sim a falta de percepção do amor presente. Pequenos gestos são desperdiçados, palavras sinceras são ignoradas, e presenças constantes são tomadas como garantidas. Até que um dia elas deixam de existir — e só então percebemos o quanto eram preciosas.

A reflexão que essa simples cena no supermercado nos traz é poderosa:
reconheça o valor do que está sendo entregue a você, mesmo que venha em embalagens conhecidas.
Afinal, o verdadeiro amor não precisa de ineditismo para ser extraordinário — ele se revela na constância, na repetição e no cuidado silencioso do dia a dia.

Talvez o que você rejeitou hoje, amanhã seja tudo o que você gostaria de ter de volta.

 

 

 

 

 

Raimundo Mendes Alves – Advogado e vereador

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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