QUANDO O LEITOR SE MANIFESTA – Carlos Alberto Josuá Costa

QUANDO O LEITOR SE MANIFESTA –

Cada vez que um leitor emite um comentário, opinião ou crítica sobre os escritos que me atrevo em compartilhar, sinto-me feliz.

E por quê?

Primeiro pela consideração em dedicar parte do seu tempo a uma leitura. Depois por perceber nas linhas a forma da minha expressão consciente. E, nas entrelinhas, os aspectos da mensagem inconsciente que migra do meu sentimento e assemelha-se ao do leitor.

“- E eu leio as estrelinha!?”.

As entrelinhas não estão grafadas em letras e, portanto não percebidas visualmente. Elas são mensagens subliminares, onde a vibração se ajusta pelo toque no diapasão de afins entre o escritor e o leitor.

Agora complicou!

Tentar fixar uma ideia desta vibração é restringir o acervo de sentimentos característicos da individualidade do leitor.

Buscar significados comuns nas entrelinhas talvez seja inapropriado, pois lá está exatamente o estado de espírito que o leitor se encontra naquele determinado momento. É como na poesia: o que está escrito é uma forma de se expressar, mas o que ela diz ou quer dizer, só percebemos, à tona, parte do sentimento do autor: a sua paixão, a sua amargura, a sua alegria, o seu viver, enfim.

Quantas vezes não lemos determinado artigo ou mesmo um livro e, depois de um tempo, relendo-o temos outras percepções que “dialogam” com novas roupagens.

Quantas vezes não sublinhamos uma frase que nos “disse” algo ontem, e hoje, ao depararmos com ela perguntamos: por que isso me chamou atenção?

Assim, para o escritor, nada mais gratificante que um comentário sobre a sua “criação” e, mais ainda, uma reflexão sobre o sentimento que aquele escrito proporcionou a ele (leitor) uma amplitude de visão sobre o assunto discorrido.

É gratificante?

Sim, pois quando escrevemos com afetividade estamos, às vezes sem perceber, compartilhando o mais “interior” que podemos expor pelo arranjo das letras. Não são juntadas de palavras. Mas, palavras que se aglutinam em torno de uma emoção vivenciada.

Quando escrevo algo leio várias vezes, para ter a certeza que o texto não será abandonado antes do fim. E mais, que ele (o texto) possa ser entendido conforme seu conteúdo. Nele coloco todos os meus possíveis sentimentos, mas ciente que o leitor também vai me achar nas entrelinhas.

Claro que não espero ser lido por todos, mas espero que aqueles que o façam, se sintam recompensados.

Há também o texto que escrevo e que “sacudo” na gaveta. Fico intrigado ao não me afinar com a inspiração, achando que não era bem aquilo que queria transmitir. Depois de um tempo, às vezes tempo demasiado, retomo-o, impregno-o de novos estímulos e submeto-o ao paciente leitor para seu deleite, ou não.

Nunca levitei, mas quando um leitor diz: “adoro ler seus textos”, sinto os pés fora do chão. Não como vaidade, mas como uma resposta entendida de como ter sido útil.

Cada incentivo me faz buscar retribuição, não em perfeição literária, mas em continuar a escrever com a alma.

Tenho consciência que sou apenas um aprendiz das letras.

Obrigado a você e, a você também, pela oportunidade de me mostrar nas linhas e nas entrelinhas.

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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