Jaécio Carlos*

Saúde, educação e segurança fazem parte das falações que os pretensos homens públicos mais gostam de citar nos discursos para chegar ao poder. Essa trilogia é antiga e fico pensando se não mais houvessem esses problemas, qual seria a tônica dos projetos para  as “mudanças” propostas por eles aos eleitores.

A cada dois anos a cena se repete e o povo fica esperando, acreditando que realmente tudo vai mudar. Saúde é importante? Sim, mas está cada vez mais difícil o povo ter acesso a hospitais e clinicas populares. Há anos que e assim e ninguém tem a coragem de, efetivamente, mudar esse quadro quando se elege. Mesmo porque tem que haver projetos que são discutidos e precisam de apoio da maioria dos parlamentares para que o executivo os aprove. E isso é tão difícil, quase impossível. Anos e anos é assim. A precariedade do serviço público e o alto preço da saúde particular afastam a população que tem que conviver com miséria e desespero.

Já o processo educacional é outro drama. Escolas públicas de ensino de péssima qualidade, agressão a professores por adolescentes mal educados e os baixos salários, provocam greves intermináveis. Passam governos e nada muda. A formação do nosso povo é triste, de dar dó e isso reflete nos ações pífias dos gestores que assumem postos na administração pública. E mais importante construir escolas do que presídios, mas dotar essas unidades não só de beleza arquitetônica, mas de conteúudo, com disciplina, educação e organização administrativa com pessoal qualificado. Todo mundo sabe que deve ser assim, mas é melhor reclamar do que fazer.

No segmento segurança é onde mora o pecado mais doloroso.O despreparo ds corporações e a falta de compromisso com a comunidade planta medo e insegurança na sociedade. Presídios superlotados transformam-se em caldeirão de desumanidade. Ninguém quer ficar nesses lugares e os mais espertos cavam túneis pra fugir, que ninguém vê. A gestão dos presidios, em geral, é ultrapassada. Não há inovação e ninguém tem a força pra mudar, botando os prisioneiros pra trabalhar. A ociosidade é um perigo explosivo cheia de mentes vazias. Gasta-se muito dinheiro pra manter esse pessoal aprisionado, com ajuda financeira extensiva a seus familiares, refeiçoes e outros beneficios que, em muito, os diferenciam dos trabalhadores do lado de cá do muro.

A fraca atuação dos policiais e os benefícios dados aos presos, aumentam a criminalidade. É melhor ser preso, com direito a alimentação e ajuda financeira, do que ser desempregado. E o pior que esse povo, sem trabalhar, nada produz e o terror dá margem a formação de quadrilhas, gangues organizadas que resultam em rebeliões violentas.

Saúde, educação  e segurança são prioridades que nunca progridem, nunca avançam e são motes para discursos eleitoreiros.

 Jaécio Carlos* – Editor de revistas, jornais, livros e palestrante motivacional

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