O primeiro-ministro do Líbano não resistiu à onda de protestos surgida com a tragédia da explosão no porto de Beirute e renunciou ao cargo ontem (10).
O choque depois da explosão já virou revolta. O sentimento que guiava o protesto era a raiva. Uma indignação pela negligência no armazenamento de quase 3 mil toneladas de material explosivo.
O governo mal se segurava em pé e o frágil primeiro-ministro pediu pra sair. Hassan Diab declarou que a corrupção é generalizada e maior do que o Estado. Ele disse que falhou ao enfrentar uma classe política suja.
Três ministros puxaram a fila no fim de semana. Entre eles, a da Justiça, que tinha sido expulsa quando visitava o porto. As renúncias falavam da “incapacidade do governo de fazer reformas”.
Mas três não era demais. As ruas exigiram a demissão imediata do governo inteiro. Os protestos sacudiram também o Parlamento – pelo menos dois deputados pediram demissão porque ouviram o que o povo pede.
Um dos últimos a apagar a luz foi o ministro das Finanças: Ghazi Wazni negociava empréstimos com o FMI. O Líbano deu em março o primeiro calote na sua história.
O presidente do Líbano aceitou a renúncia, mas pediu para o primeiro-ministro continuar no cargo até a formação de um novo governo. Ele tem poder de veto, então se o indicado não agradar, a alternativa seriam novas eleições.
Fonte: G1
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