PRIMEIRA CARTA A ARTHUR –

“O que extrapola do amor ainda é amor.” (Josuá Costa)

Natal, 8 de maio de 2020

Querido Arthur,

Soube por intermédio de sua mãe que você poderá chegar por esses dias. Fico feliz com a sua vinda.

Não sei se você me reconhecerá. A nossa diferença de idade é de mais de meio século.

Bem, isso não é tão importante, pois nossos corações, com certeza, pulsarão em sintonia com o tempo atual.

Não se importe com as notícias estampadas nas mídias sociais sobre um vírus devastador que está fazendo o mundo parar e se transformar em incertezas de como será o amanhã. A cantora Simone já indaga quando diz:

“… Como será o amanhã / Responda quem puder / O que irá me acontecer / O meu destino será como Deus quiser…”

Então, caro Arthur, não vamos ficar angustiados. Vamos sim, confiar que cada dia será melhor que ontem. Bem sei que, à medida que você for somando anos, eu irei subtraindo, mas nunca deixarei de te amar.

Você me fará recordar o quanto foi, e ainda é, gratificante caminhar com seu irmãozinho Lucas, que quando deu os ares por este mundo transformou o meu modo de ver e compreender a vida. Com ele aprendi muitas coisas. Uma delas, subsistente por si mesmo, foi entender a maravilha de Deus no outro. Tudo mudou. Meu modo de ser, de sorrir, de me emocionar com as coisas mais simples, de que era possível retroceder no tempo e igualar os nossos modos de crescermos juntos.

Lembro, querido Arthur, que nas caixas de jogos e nos livros infantis que eu e seu irmão Lucas curtíamos, sempre escrevia na contracapa: Lucas 3 anos; vovô 59 anos. Apenas para quando ele estivesse com idade de adulto pudesse, numa sutil lembrança refletir o quanto eu era seu parceiro.

Então Arthur, assim também quero compartilhar com você essa velha criança que sou. Claro que hoje estou um “pouco” mais corcunda por carregar o peso da idade e do aguçamento emocional, que é da natureza humana. Mas estarei “pronto” para entre uma dor e outra, brincarmos, sorrirmos, rezarmos e chorarmos juntos.

Mas se vovô “tropeçar” e for para um “distante”, mesmo assim meu amor irradiará até você. De onde eu estiver cobrarei sempre do seu anjo da guarda para que o proteja e o abençoe.

De qualquer maneira deixo aqui alguns dos pilares que deverão sustentar a sua vida: Amar e respeitar as pessoas como elas são; ouvir as orientações de seus pais; estudar para conhecer e aprender e, amar a Deus sobre todas as coisas. Em caso de dúvida recorra a seu irmão Lucas, pois assim também o disse.

Venha!

Eu te espero.

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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