A prefeitura de Natal anunciou nessa quarta-feira (13) uma nova intervenção de saneamento na área da engorda da Praia de Ponta Negra, orçada em R$ 21 milhões. O projeto prevê a construção de três reservatórios de detenção e infiltração para reduzir o volume e a velocidade da água que chega à faixa de areia durante períodos de chuva.
A concorrência pública para a obra foi publicada no Diário Oficial do Município nesta quarta e a abertura das propostas está marcada para o dia 27 de maio.
As explicações foram dadas durante coletiva de imprensa convocada pela prefeitura após questionamentos levantados em relatório do Ministério Público Federal (MPF) e em uma ação civil pública que apontam problemas no sistema de drenagem implantado na engorda da praia.
Segundo a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, o projeto das obras complementares começou a ser desenvolvido após a conclusão do chamado aterro hidráulico, finalizado em 25 de janeiro de 2025.
“Tivemos o ano todo de 2025 com as ocorrências, onde todas elas foram estudadas e levantadas para que a gente pudesse avaliar quais seriam as melhores soluções”, afirmou.
De acordo com a secretária, os novos reservatórios terão a função de retardar a chegada da água do sistema de drenagem até a praia, diminuindo a velocidade do fluxo e reduzindo os chamados “espelhos d’água” – os alagamentos que se formam na areia em dias de chuva.
Durante a coletiva, a gestão municipal rebateu pontos apresentados em relatório técnico anexado a uma ação civil pública do Ministério Público, que apontava tubulações interrompidas, canos expostos e estruturas bloqueadas no sistema de drenagem.
Segundo a secretária, não houve instalação de “tubulações falsas” nem interrupção indevida do sistema. Ela explicou que uma das tubulações apontadas no relatório havia sido desativada e reposicionada por razões técnicas.
“Na própria imagem do relatório a gente consegue visualizar a tubulação tamponada e também o local para onde ela foi relocada”, disse.
Ainda segundo a secretária, o reposicionamento ocorreu porque o ponto original recebia maior contribuição de esgoto, o que comprometia o funcionamento do dissipador.
Outro ponto questionado foi a presença de materiais cobrindo saídas da drenagem. Segundo a prefeitura, o material visto nas imagens não era lona, mas uma manta geotêxtil utilizada para retenção de areia.
“Ela não impede a passagem da água. É uma manta muito utilizada em obras de drenagem”, afirmou.
Sobre uma pedra encontrada dentro de uma tubulação, a secretária afirmou que o material fazia parte do enrocamento instalado atrás do dissipador e já foi retirado.
Ela também ressaltou que as imagens usadas nos questionamentos são de janeiro deste ano e que a situação atual da estrutura seria diferente.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, afirmou que a obra foi executada conforme o projeto original e negou falhas no sistema implantado na engorda.
Segundo ele, a formação de espelhos d’água após chuvas fortes já era prevista tecnicamente por causa do grande volume de água que desce até a praia.
“O sistema está sendo melhorado, mas continua com a mesma concepção”, disse.
O secretário explicou que a região possui uma bacia de aproximadamente 400 mil metros quadrados e que chuvas intensas, como as registradas recentemente, fazem milhões de litros de água escoarem em direção à praia.
Ele afirmou que as novas estruturas deverão reduzir o volume e a espessura dos espelhos d’água, mas reconheceu que o fenômeno continuará ocorrendo em casos de chuvas acima de 60 milímetros.
“Havendo chuvas acima de 60 milímetros continuará a formar espelhos d’água, mas em menor volume e com maior capacidade de retenção”, afirmou.
Durante a coletiva, o secretário também defendeu os resultados da obra da engorda da praia e afirmou que a ampliação da faixa de areia trouxe ganhos para o turismo e para o uso da praia pelos moradores.
Fonte: G1RN
Fonte: G1RN
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