A felicidade é pauta da agenda econômica? I –
Tenho notado que, entre as adversidades gerais provocadas pela pandemia, houve uma confluência de situações que foi também capaz de colocar a Ciência Econômica em questionamento. Não me refiro aqui às teses esdrúxulas, enquanto partes integrantes desses mantras negacionistas que tomaram de assalto as redes sociais e entorpeceram uma legião de acólitos. Refiro-me ao bom embate teórico, assentado no conhecimento científico, algo como um indicador dos caminhos que levem a sociedade para novos padrões de desenvolvimento econômico. Ou melhor, para um ciclo de vida social tal, que traga uma satisfação sustentável aos agentes econômicos.
Hoje – e nas próximas colunas – meu esforço será demonstrar, de modo simples e despretensioso, que esse nível de satisfação que a sociedade como um todo almeja, nada mais é do que uma palavra mágica, que reúne beleza conceitual, busca individual e vigor literário: simplesmente, felicidade. E, por conta dessa sua força e dimensão, já respondo aqui a pergunta em forma de titulo da coluna. Sim, a felicidade pode (e deve) ser pautada pela agenda econômica, seja do ponto de vista micro, como do macroeconômico.
Particularmente, confesso que a reclusão da pandemia, gerou-me algumas reflexões sobre a amplitude desse tema tão impregnado no cotidiano dos economistas – o desenvolvimento. Com essa referência em mente, era inevitável buscar um entendimento prospectivo, que levasse em conta alguns critérios tratados pela teoria econômica, mas muito bem evidenciados em tempos de crise. Em larga medida, são aspectos psicológicos que pairam sobre os agentes econômicos e que contribuem para o clima de incertezas de quaisquer economias, na agudização de uma crise. Afinal, as sobrevivências estavam postas em riscos, seja pela questão física ditada pela pandemia, ou mesmo, pela questão material ditada pela economia. Neste caso, pela perda de renda exercida sobre os agentes econômicos, provocada pelo desemprego (trabalhadores) ou paralisação dos negócios (empreendedores). Impôs-se, mais do que nunca, alguns conflitos clássicos do tipo: eficiência X igualdade e riqueza X felicidade. Paradigmas esses que fazem ressurgir o debate acadêmico sobre teorias econômicas como a do bem-estar, assim como, a validade das métricas de aferição do verdadeiro desenvolvimento, do tipo Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Felicidade Interna Bruta (FIB).
Esse cenário de densa discussão teórica ganhou em mim ainda mais substância, depois que reli algumas das ideias de Eduardo Gianetti e troquei inúmeras mensagens com Clóvis Cavalcanti. São colegas economistas de gerações bem distintas, mas que trazem nas suas respectivas bagagens algumas ilações apropriadas para esse repensar do desenvolvimento. Com fortes embasamentos filosóficos que incorporam conceitos sobre ética, utopia e felicidade, no mínimo trazem a provocação e tornam instigante a revisão de paradigmas.
Na próxima coluna, encaro essa provocação como um discreto exercício de trazer essas teorias à luz do debate. O primeiro passo será abordar o sentido da defesa e crítica do bem-estar, pela noção inicial do chamado “equilíbrio geral”.
Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador. Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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