PRECONCEITO SIMBÓLICO E DISCRIMINAÇÃO INCONSCIENTE –
110 anos de uma tipificação simplificadora sobre o Nordeste. Num primeiro plano, a demonstração da sua razão de existir. Num plano intermediário, a consolidação de um estereótipo do “ser nordestino”, cujo simbolismo contribui para um preconceito recorrente. E, num plano final, uma “zona de conforto” aparentemente tolerada, que embora revele visões atualizadas e recolocadas, não escondem a xenofobia. Ou seja, os estereótipos sobre os nordestinos inviabilizam a percepção da diversidade regional e não deixam de gerar situações discriminatórias, ainda que existam motivações inconscientes.
Desde 1910 (com os documentos técnicos das ações contra a Seca), passando por Rachel de Queiroz (no seu livro de estreia, O Quinze) e culminado com o “Manifesto Regionalista” de Gilberto Freyre (1926), que o Nordeste pautou seu papel no cenário nacional.
Mas, uma referência que se manteve presente no imaginário do brasileiro, com caracteres imutáveis até hoje: estiagem climática, migrações e pobreza. Junto a esses atributos, formou-se e firmou-se um estereótipo próprio, cujos valores culturais ou são glorificados ou negados, conforme a situação. Embora a essência do “ser nordestino” represente um modo singular, seu enquadramento no tal imaginário tem viés plural. É a indumentária sertaneja do gibão e do chapéu de couro. É o cidadão mestiço, rude e deseducado que migra para outras regiões. É o migrante que se estabelece na periferia e se mostra bem mais interpretado por alguma violência urbana, do que mesmo pelo seu compromisso engajado com o trabalho. Enfim, é o típico transgressor de um “padrão linguístico dominante”, que vira deboche pelo seu mero sotaque. Tudo isso ocorre por um preconceito simbólico ou uma discriminação inconsciente.
Assim sendo, não é nada demais político chegar à região, montar num jegue e por chapéu de coro. Faz parte do simbolismo, embora preconceituoso. Também não parece nada demais negar ao nordestino mais espaços para discutir as grandes questões nacionais, pois seu papel parece ser eternamente regional. Faz parte do inconsciente, embora discriminador.
É o Nordeste de sempre. Nada mudou.
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Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador. Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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