A ESSÊNCIA DE DOAR: FAZER O BEM, SEM OLHAR A QUEM –
Um dos gestos diferenciadores da racionalidade humana está no ato de doar. Embora seja essa uma essência própria da natureza dos homens, sua prática não é tão simples assim. Alguns valores de formação influenciam certas posturas, que tornam o papel dos doadores bem limitado. Irei a um exemplo forte, que envolve vidas, mas por razões diversas, que vão do desconhecimento às causas comportamentais (éticas, morais, religiosas ou afins), terminam por retirar as decisões que levam às doações.
O caso que trato aqui se refere a escolha em vida por doar órgãos. Nesta data de 27 de setembro, não se comemora, mas se evidencia o quanto esse gesto nobre se traduz em solidariedade e esperança de vida. Hoje é a data nacional de conscientização pela doação de órgãos. Infelizmente, em pleno século XXI, há quem não vislumbre a grandeza de uma atitude capaz de salvar muitos enfermos.
A preocupar o fato de que a pandemia reduziu drasticamente o número de transplantes. Dados de julho mostram que quase 50 mil pessoas no Brasil esperam por solidariedade. Vale aqui a firmeza de quem já se antecipa e se anuncia em vida como doador, bem como, a sustentação que cabe aos familiares diretos de fazer esse desejo acontecer. Para esses, que valha o entendimento que uma parte do ente querido “viverá” organicamente em alguém que tanto precisa.
Eu, que tive familiar transplantado e que sou hepatopata, reforço a importância da campanha e do comprometimento. Nessa ênfase, aproveito o ensejo para deixar dois registros que dão força ao ato de doar.
Em primeiro, o destaque que o transplante de órgãos representa uma demonstração cabal de que a saúde pública no Brasil tem seu valor. Quase a totalidade das cirurgias (96%) é debitada na conta do SUS. Tudo feito com controle, organização e competência profissional.
Depois, reservo esse reconhecimento, como exemplo, o trabalho de Dr. Cláudio Lacerda e equipe. São mais de 1 mil transplantes, numa demonstração adicional da qualidade da medicina que se exercita em PE. Não se trata aqui de amizade ou o fato de tê-lo como o médico que me acompanha. Afinal, ele é mais um patrimônio vivo do nosso talento.
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Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador. Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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