Uma pra mim, uma pra tu e outra pra mim –
A desigualdade do negócio chamado Copa do Mundo
Nosso eterno “Rei Gonzaga” tinha no seu rico repertório uma música das mais vistas e ouvidas, cujo título é igual ao desta coluna de hoje. Na tal peça, ele cantava e contava para um certo compadre, sempre em tom de diversão, quantas moças estavam livres no salão. Só que ele fazia a brincadeira rolar numa contagem desproporcional, na intenção de levar vantagem sobre o parceiro.
Longe daquele imaginário salão de forró, faço agora uma similaridade com o campo de jogo, só que na perspectiva de algo que tem lá seu efeito de entretenimento, mas que se trata de um gigantesco negócio – a Copa do Mundo. No meu modesto imaginário, sai de cena o simbolismo cultural do mestre Gonzaga e entra em pauta o gigantismo econômico da poderosa FIFA. Em comum apenas a desigualdade das contas, por mero instinto de provocação divertida (entre Gonzaga e seu compadre) ou de sustentação garantida (entre a FIFA e seus parceiros).
De fato, seja na imposição de um caderno de encargos estéril na sua origem, ou mesmo, na consagração de resultados econômicos que são amplamente favoráveis à instituição, o negócio chamado Copa tem mesmo uma dimensão quase que unilateral.
Sem delongas, essa história de supremacia econômica vem de longe, quando consultorias americanas montavam projetos de arenas multiusos, no argumento de que, além dos reflexos dos investimentos nas obras, todo um ecossistema de negócios derivados seria criado e traria crescimento e sustentabilidade. A FIFA entrou mais firmemente nessa linha desde a Copa da África do Sul. Resultado: nem essa sede e nem as próximas geraram os resultados econômicos esperados. A não ser para quem contou à moda Gonzaga, conforme avaliações posteriores. Faltaram decisão e coragem para que os países sedes assumissem a verdade óbvia: que optaram em gastar, em nome da felicidade de um povo apaixonado por futebol. Nada além disso.
Embora a opção pelo Qatar jamais fosse revelar uma decisão, em nome de algo raro no país (a felicidade), centenas de bilhões gastos serviram para reforçar o lastro amoral de gastar por gastar, só porque pode. O danado é que a distribuição dessa fartura segue a conta gonzaguiana.
Breve exemplo recém difundido revela a proporção do negócio para alguns gigantes de comunicação, que tiveram a permissão para a transmissão dos jogos. Há casos de redes que, mesmo contando com verbas expressivas de patrocínio, tiveram suas contas sob riscos. Afinal, não são tão acessíveis assim os encargos sobre os direitos autorais e de imagem, os próprios custos de acesso às transmissões e todas despesas necessárias para uma produção de alto nível. Isso sem falar em externalidades outras, como a instabilidade da política cambial e os custos de oportunidade que advêm das escolhas daquilo que está ofertado no mercado publicitário.
Se as contas não fecham ao final, ouvir Gonzaga cantar a tal música parece não ser bom negócio.
Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador, Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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