Werner Baer e Sua Contribuição Para o Pensamento e o Desenvolvimento Econômico do Brasil –
Começo, mais uma vez, por exercer um pedido de desculpas. É que havia planejado e até anunciado que a coluna hoje seria reservada para uma breve discussão sobre as questões climáticas e seus efeitos econômicos, no que diz respeito à sustentabilidade do nordeste brasileiro. Antecipo aqui até o título: “O Nordeste da Seca é o Mesmo Grande Produtor de Energias Renováveis: E agora?”. Mas, fui tomado, de novo, pela iminência de outra justa homenagem. Mais do que a grafia errada do sobrenome (esse maldito corretor de texto), preciso reconhecer a importância de Werner Baer para muito além do que se pode debater e propor em termos de economia no Brasil.
De fato, Werner foi bem mais que um simples “brasilianista”, como costumam tratar os estrangeiros que se dedicam a estudar esse “caleidoscópio” chamado Brasil. Foi um apaixonado inveterado pelo país, que fez questão de ir além dos seus estudos e pesquisas. Ele criou instituições e formou gerações de economistas. No seu jeito simples mas obstinado de ser, fincou raízes tão sólidas de amizade e apego telúrico, que só consigo enxergá-lo como um “conterrâneo”. Daqueles “velhos de guerra”, conforme a gente costuma expressar na nossa identidade cultural.
Werner fez doutoramento em Harvard e passou não apenas por essa consagrada instituição, como integrou o corpo docente de Yale, Vandeebilt e Illinois. Mas, foi como conselheiro da Fundação Ford, que pode avançar no seu interesse pela América Latina e, particularmente, o Brasil, quando atuou fortemente na criação de cursos de pós-graduação e no recrutamento e na formação acadêmica de centenas de economistas brasileiros. Como bem o definiu o Prof. Yony Sampaio, “por sua contribuição direta e indireta, no estímulo à criação dos cursos e no encaminhamento de gerações de economistas, Werner foi um dos artífices do desenvolvimento econômico brasileiro”.
Faz sentido. E não só pelo seu clássico livro “Industrialização e Desenvolvimento Econômico do Brasil”, editado em 1965 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e reeditado tantas vezes (um dos meus livros de cabeceira). É que a partir desse seu início na FGV, ele pôs em prática todo aquele compromisso acadêmico por conhecer mais profundamente a economia brasileira. Nesse sentido, ele avançou na ideia da criação de novas pós-graduações, com consequente recrutamento de alunos para programas de doutoramento nos EUA. Foi justamente dessa época a criação dos mestrados no Recife (PIMES), em Fortaleza (CAEN) e em Belo Horizonte (CEDEPLAR). Da escola de preparação da FGV do início dos anos 60 (por onde passaram, por exemplo, Edmar Bacha de MG e Clóvis Cavalcanti de PE, que juntos estiveram em Yale), o estímulo da criação de cursos descentralizados que partiram de Werner e da Fundação Ford, foi fundamental para essa história. E explica, em grande parte, a dimensão da influência dele para o desenvolvimento econômico do nosso país.
Embora uma questão familiar tivesse influenciado meu recuo de seguir a linha de tantos colegas encaminhados por Werner para instituições dos EUA (terminei por ir para USP), não poderia de fechar o ciclo das gratidões que aqui fiz na coluna, para alvuns3 economistas de distintas gerações. Todo mérito que se conceda a Werner é pouco, pelo tanto que ele fez para a economia brasileira. E o danado disso é que acho pouco o desconhecimento que se dá a ele.
Afinal, julgo que o encanto de se reconhecer algum mérito pode até não ser relevante para a estética dos olhos, mas faz bem à mente e ao coração. Eu, simplesmente, sigo minhas intuições a respeito.
Alfredo Bertini – Economista e colunista da Folha de Pernambuco
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