A ENCRUZILHADA DA CRISE: ESCOLHAS DO PASSADO E INCERTEZAS DO FUTURO –
Diante de uma grave crise, independente da leitura dos seus efeitos (gerais e pessoais), é razoável se buscar o entendimento sobre sua razão de ser, como enfrentá-la e daí encontrar as melhores saídas. Um desafio e tanto.
Se essa é uma situação convencional, o danado é compreender tudo isso numa crise inesperada pela circunstância especial e traumática pelas distintas consequências. Sim, essa pandemia tem a contundência da sua marca. Por um lado, sua dimensão revelou o poder avassalador da imprevisibilidade. Por outro, seus problemas gerais de ordem sanitária, econômica e social transmitiram aos indivíduos um enorme questionamento sobre seus respectivos comportamentos diante das próprias vidas.
É justamente sobre este ponto que me cabe um breve comentário. Claro que diante da multiplicidade reativa dos indivíduos não há como se ter um padrão singular de entendimento. Mas, não dá para ignorar que a força da pandemia, que agregou aos indivíduos uma experiência de isolamento social, produziu um efeito psicológico notório.
Nessa condição, de ocupar parte do tempo às reflexões sobre a vida, justo por se sentirem fragilizados diante dos medos e das incertezas, muitos indivíduos se viram presos a uma velha dicotomia. O drama entre o acerto ou não das escolhas do passado e o receio por decisões futuras, num contexto de incertezas. Uma encruzilhada impositiva.
Na realidade, existirá sempre um nexo entre o passado e o futuro, por maiores que sejam as dúvidas sobre as escolhas do passado e as que carecem de decisões agora. Numa crise dessa magnitude, com perdas pessoais (físicas, emocionais e financeiras) parece comum julgar o passado pelos erros e o futuro por inseguranças. Entretanto, a firmeza e o equilíbrio necessários a cada um está em olhar e valorizar os acertos do mesmo passado, numa mesma medida em que o futuro seja observado de modo mais palpável, através de decisões sólidas, consistentes.
Certamente, os momentos de reflexão impostos pelo isolamento social deram essa solidez na forma de algum “porto seguro” que está dentro de nós. Cabe-nos a missão de identificá-lo e valorizá-lo.
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Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador. Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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