DE VOLTA À TOSVÉNIA: COM TORCIDA, TRANSGRESSÃO E SEM MEDO DE MEDRAR –
Por que certos integrantes da sociedade ignoraram ou tergiversam sobre o que é necessário se enxergar, mesmo diante de evidências testadas e comprovadas?
Meu engajamento de quase 20 anos de dedicação, entre a educação formal e a acadêmica, foi suficiente para garantir alguma mínima solidez nos meus posicionamentos. Assim, diante de exercícios comprometidos com uma ciência que se faz pela consistência de estudos e pesquisas, negar esse esforço e daí se envolver no puro “achismo”, não pode ser algo visto como proposta séria. Nem mesmo como uma aposta que valha à pena considerar. Ou seja, à medida que o tempo avança e revela evidências que são tratadas pela ciência, julgo que quem insiste em negá-la é porque não quis aprendê-la ou sequer valorizá-la, com o respeito que cabe ao poder decisório da escolha de cada um.
Esse mal moderno é prática corrente na imaginária sociedade tosvena. É de lá que se consegue extrair o supra sumo dos absurdos. Cada vez mais se desmancham no ar virtudes de um mundo hoje inalcançável de mais tolerâncias e empatias. Um ambiente onde se forjam verdades próprias, que podem até mesmo negar tudo aquilo que a ciência e a tecnologia foram capazes de mostrar há séculos. Desde a forma arredondada da terra até a eficácia de quaisquer vacinas, os tosvenos estão dispostos a contestar. Coisas dos toscos e tolos que assim explicam a formação cerebral da república tosvena.
Retorno ao problema da doença contaminante, cuja gravidade letal levou os tosvenos a criarem uma assembleia investigativa. O mal dizimou milhares de vidas, mas a ideia fixa pelo tratamento precoce rejeitado pela ciência gerou a desconfiança na compra das vacinas. Uma demora para ganhar tempo com a tese subsequente de contaminar a maioria da população. Com tanta torcida a favor do vírus letal, ficou claro que governistas tosvenos vestem a camisa do time mais popular do país: o Real Corona Atlético Clube. Uma paixão tão louca por futebol, que fez o líder tosveno aceitar uma competição internacional com 10 países de fora. Noutros lugares não aceita pela mesma situação do mal sanitário. Mas, assim como na Califórnia, “a Tosvênia é diferente, porque é muito mais que um sonho”. Um pesadelo, neste caso.
Diante de um comportamento tão necrófilo, não é à toa que as cenas de transgressão se espalhem na sociedade. Enquanto a cúpula tosvena insiste na negação e os opositores e cientistas se esforçam para mostrar o contrário, o povo desencantado e desalentado parece cantar o refrão de outro sucesso musical apropriado: “tô nem aí”. Politica? Crise sanitária? E daí? Que se propaguem as contaminações. Ou seja, enquanto a lógica anti-maricas de sobrevivência tosvena fugir do “sem ódio e sem medo”, o que se vê mesmo é o caos medrar como ervas daninhas.
Como diz um sucesso internacional muito ouvido na Tosvênia, “enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal”, o lado consciente do povo tosveno “finge ter paciência”.
Bem, salve nosso Lenine pela beleza apropriada dos versos que “roubei”. No mais, insisto: qualquer semelhança é mera coincidência.
Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador, ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco e colunista da Folha de PE
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