POPULISMO, NEGACIONISMO E SUPREMACISMO: OS OUTSIDERS DO ANTI-SISTEMA PÕEM EM RISCO AS DEMOCRACIAS –
Parte I – Os Fundamentos da Invasão Bárbara ao Capitólio
As eleições de 2016 e a primeira metade do Governo Trump foram condições suficientes para que qualquer análise política isenta percebesse que a robustez democrática dos EUA estava sob risco. Churchill, ao discursar do Parlamento britânico em 1947, já havia insinuado que “a democracia era o pior dos regimes, salvo todos os outros”, um argumento que bem expressa as imperfeições e fragilidades dessas experiências políticas. Mas, na sua particularidade, os EUA sempre se orgulharam do desafio de superação pela democracia. Para isso, buscavam realçar suas apostas nos valores da Constituição, da liberdade com igualdade, da solidez da classe média, do padrão da saúde e educação e da diversidade empreendedora. Por mais que Trump desejasse enaltecer esses valores, o que se viu foi o inverso. Por conta dessa situação, a partir de 2018, toda uma preocupação com a democracia americana ganhou sentido e dois livros clássicos foram escritos. Em primeiro plano, Levitisky & Ziblatt publicaram “Como as Democracias Morrem” (2018). Em seguida, Adam Przeworski lançou “Crise das Democracias” (2019). Textos proféticos, pois se anteciparam na fragilidade que o cientista político Larry Diamond chamou de “recessão democrática”. Um fenômeno geral, mesmo que os olhos dos analistas estivessem voltados para o viés autoritário de Trump e seus seguidores.
O apreço pelo autoritarismo tem origem e propagação. A origem está na perda do papel de “guardiões democráticos” que cabem aos partidos políticos. A ausência de um filtro partidário que separe os outsiders extremistas e o marketing anti-sistema, deu sentido a um personalismo de verniz demagógico (populismo). A propagação foi resultante de narrativas ideológicas que ganharam musculatura nas redes, todas elas oportunizadas pela coincidência da “revolução digital”. Assim, consagraram-se as teses negacionistas e as evidências supremacistas que deram as costas para os valores democráticos da tolerância e do respeito às contradições da sociedade.
Darei sequência à analise em texto seguinte.
https://www.instagram.com/p/CJ4sQRGhgJL/?igshid=1ns5g136jld6f
Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador, ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco
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