A contradição de Ernesto Araújo –
Quando a turba invadiu o Capitólio, a reação de nosso chanceler Ernesto Araújo foi dúbia. Por um lado, ressaltou a importância da democracia. Por outro, amenizou a ação dos vândalos sob a justificativa de serem pessoas insatisfeitas com o sistema eleitoral norte-americano. Foi além, ao sugerir que as autoridades procurassem detectar se não houve ativistas esquerdistas infiltrados na manifestação. Claras intromissões em assuntos internos dos EUA.
No seu tuíte, em 7/1/21, escreveu: “Há que parar de chamar ‘fascistas’ a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições”. Sem entrar no mérito de suas palavras, Araújo tentou livrar a responsabilidade de Trump a quem já chamou de “salvador do Ocidente”. E mirando, provavelmente, o Brasil, afirmou: “que os fatos de ontem (6. jan) em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular”.
Recentemente, ocorreu um clássico golpe militar em Mianmar (antiga Birmânia). O partido LND, da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Ki, derrotou o partido pró-militares, União Solidariedade e Desenvolvimento, por 83% dos votos. A oposição alegou a ocorrência de fraude, e os militares sem prova, tomaram o poder. Destituíram o presidente civil e declararam estado de emergência. Pela Constituição de Mianmar, os militares detêm 25% dos assentos no Congresso afora posições ministeriais importantes no governo. Os militares recearam perder seus privilégios.
Em nota, o Itamaraty não empregou a expressão golpe de Estado, ao contrário do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA. Limitou-se a afirmar que acompanha os desdobramentos da decretação do estado de emergência em Mianmar” e espera “um rápido retorno do país à normalidade democrática e de preservação do Estado de Direito”. Araújo disse que, por não caber ingerência do Brasil em assuntos internos, não qualificaria o ocorrido como golpe. Nem mencionou a existência de prisioneiros políticos. Atirou a flecha e depois pintou o alvo. Aonde quer chegar nosso chanceler?
Jorge Zaverucha – Doutor em ciência política pela Universidade de Chicago (EUA), é professor titular do departamento de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco. Autor do livro “FHC, Forças Armadas e Polícia – Entre o Autoritarismo e a Democracia” (2005, ed. Record)
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