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Peixes aparecem mortos perto de barragem no RN, e polícia investiga se água foi contaminada com uso de drones

Barragem de Poço Branco no Rio Grande do Norte — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Uma mortandade de peixes ocorrida nos últimos dias nos rios e afluentes que desaguam na barragem de Poço Branco, cidades distante 65 km de Natal, tem preocupado a comunidade de pescadores da localidade. A barragem de Poço Branco é o quarto maior reservatório do Rio Grande do Norte.

Os pescadores denunciam uma possível contaminação na água. Segundo a Colônia de Pescadores de Poço Branco, que conta com 160 pescadores cadastrados, a hipótese de que os peixes podem ter sidos envenenados foi levantada após um drone ter sido visto pulverizando plantações com inseticida na região.

A Polícia Civil confirmou que iniciou uma investigação do caso, incluindo a denúncia sobre o drone.

“Eu recebi ontem [terça] uma denúncia de um pescador, que tinha um drone pulverizando às margens da barragem. Isso é de longas datas que vem acontecendo”, falou o presidente da Colônia de Pescadores de Poço Branco, Davi Pinheiro.

“A gente suspeita que essa mortandade de peixes é por causa dessa pulverização às margens da barragem. Então, o pescador tem receio que a água seja contaminada e que o peixe também seja contaminado”, falou.

Prefeitura faz vistoria em fazenda

A prefeitura de Poço Branco nformou que também apura as denúncias. A Secretaria Municipal de Turismo e de Meio Ambiente disse que fez vistorias em uma fazenda nesta quarta-feira, mas não encontrou nenhum indício de crime ambiental.

“Notificamos a fazenda, tivemos a autorização do proprietário, entramos, fizemos uma visita in loco. não constatamos nenhuma degradação em relação à mortandade de peixes, nenhuma degradação que pudesse prejudicar a fauna e a flora, e todo o meio ambiente aqui na bacia hiodrográfica de Ceará-Mirim, na barragem de Poço Branco”, explicou o secretário Eucana Samuel.

O gerente da fazenda em questão, Miguel Edimilson e Silva, contou que viu com surpresa a denúncia e negou que a fazenda utilize drones para contaminar a barragem. “Não tem drone, não tem peixe morto, não tem nada. Quem quiser vir, pode olhar”, disse.

Ele atribuiu a morte dos peixes às fortes chuvas em fevereiro, que encheram os riachos e, com a rápida secagem posterior, teriam causado a morte dos animais.

A fazenda em questão é uma propriedade de 1.300 hectares utilizada para a criação de gado de corte.

O secretário de Meio Ambiente também confirmou que fez uma vistoria na barragem e não encontrou peixes mortos nesta quarta-feira.

Preocupação dos pescadores

Segundo a Colônia de Pescadores de Poço Branco, houve uma redução na quantidade de pescado nos últimos meses aliado à mortandade de peixes em afluentes e riachos. Davi Pinheiro, presidente da Colônia, expressou a preocupação da comunidade.

“Tem muitos pescadores que sobrevivem dessa barragem. A Colônia tem 160 pescadores cadastrados. E tem muito mais de 300 pescadores pescando. Então a gente tem o receio que a contaminação da água venha a prejudicar a cadeia alimentar da nossa região”, falou.

Segundo o secretário, a equipe da fazenda que utiliza o drone explicou que o trabalho feito com o equipamento é minucioso e com voo planejado.

“O drone tem plano de voo, faz uma seleção das partículas, então é tudo planejado, segundo ele. E a única coisa que eles colocam na pulverização através do drone prejudica apenas as ervas daninhas”, falou.

Barragem de Poço Branco

A Barragem de Poço Branco é o quarto maior reservatório de água do Rio Grande do Norte, com capacidade para armazenar 136 milhões de metros cúbicos de água. Além de ser vital para a agricultura, pecuária e pesca, suas águas também são utilizadas para o turismo na região. Um balneário, que funciona no curso d’água formado pelas comportas da barragem, permanece aberto o ano inteiro, independentemente de sangria ou não.

A barragem sangrou no ano passado, após um período de 15 anos desde a última sangria. A grande preocupação agora é com os eventuais prejuízos econômicos que podem surgir caso seja comprovado algum crime ambiental capaz de comprometer o pescado ou a qualidade da água do reservatório.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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