Pedro II o Menino Triste

Simone Maria Rodrigues Soares

Li há algum tempo os livros 1808 e 1822, do jornalista Laurentino Gomes, e estou agora me deliciando com o mais recente: 1889.

É interessante a história do nosso Brasil contada sob a ótica de um jornalista. E é claro que em três livros de mais de quatrocentas páginas passamos a conhecer fatos que não aprendemos nos bancos escolares. Veio-me a ideia de escrever um pouco sobre isso, apesar de não ser historiadora nem jornalista, mas com a intenção de levar algum conhecimento de nossa história àqueles que não tiveram oportunidade de tal leitura.

O que mais me chamou a atenção neste último livro foi a vida de Dom Pedro II, pois, apesar de ter governado nosso país por 49 anos, sabemos mais da vida de seu pai, Dom Pedro I, certamente pelo Dia do Fico, em 09 de janeiro de 1822, depois pela proclamação de nossa Independência, em 07 de setembro daquele mesmo ano. Este, no entanto, governou por apenas 8 anos e 7 meses, tendo abdicado do trono por pressão do povo brasileiro, insatisfeito com seu autoritarismo e com os escândalos de sua vida pessoal. Voltou, então, para Portugal, na companhia de sua segunda esposa, a imperatriz Amélia, onde chegou a reinar, algum tempo depois, por apenas dois meses, como D. Pedro IV, vindo a falecer, de pneumonia, aos 35 anos de idade.

Mas, voltemos a Dom Pedro II.

Nascido em 02 de dezembro de 1825, último filho de Dom Pedro I com a imperatriz Leopoldina, Pedro de Alcântara perdeu a mãe logo no ano seguinte. Com a idade de cinco anos, foi deixado no Brasil pelo pai, quando abdicou do trono brasileiro e voltou para Portugal, ficando o filho em companhia de três irmãs mais velhas e aos cuidados de um tutor, José Bonifácio de Andrada e Silva, que já era conhecido como o Patriarca da Independência, pois, como Ministro de Dom Pedro I, desempenhou papel importante na condução do processo da Independência do Brasil, aconselhando e orientando o Imperador. Pedro de Alcântara nunca mais veria seu pai. Consta que lhe escrevia cartas cheias de saudade e tristeza.

Assim cresceu o futuro Imperador do Brasil, entre o sofrimento pela falta do pai e as obrigações da etiqueta que o preparava para um dia assumir o cargo. Chegou a ser chamado “o órfão da nação”, tal era a melancolia que demonstrava na infância. Pedro compensava a tristeza da separação com muito estudo: era apaixonado por línguas estrangeiras e aos sete anos já era capaz de se comunicar em inglês, francês e era estudioso do latim. A influência de seu tutor, um dos homens mais preparados da época, certamente foi decisiva para despertar no pequeno estudante o interesse pelos livros.

Como era previsto, tudo para ele aconteceu precocemente. Foi coroado aos quinze anos de idade, tendo antecipada a maioridade para que pudesse assumir o trono. Casou-se aos dezessete anos, com a princesa italiana Teresa Cristina, sem a conhecer, como era costume na época entre os nobres, e decepcionou-se ao vê-la desembarcar: “era feia, baixa, rechonchuda e mancava de uma perna” (Laurentino Gomes, 1889, pág. 119). Mas superou a decepção e com ela viveu até sua morte, já em Portugal, depois do exílio imposto pela proclamação da República do Brasil. O casal teve quatro filhos, mas os dois do sexo masculino morreram ainda pequenos e só duas filhas se criaram: Isabel, que viria a ser regente do Império e ficaria famosa pela assinatura da Lei Áurea, e Leopoldina Teresa, que só viveria até aos 23 anos.

Descrito como um homem tímido e avesso a eventos sociais, Dom Pedro II se notabilizaria pelo grande interesse pelo conhecimento literário e científico da época, o que desenvolveu nas três grandes viagens internacionais que realizou durante seu reinado. E é sobre essas viagens, muito interessantes, que pretendo falar numa próxima crônica.

Simone Maria Rodrigues SoaresEscritora

Ponto de Vista

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