PEDIR OU TOMAR A BENÇÃO? – Joir Ramalho

PEDIR OU TOMAR A BENÇÃO? –

O importante é recebê-la.

Meu pai não me educou a ter esse hábito, no entanto, jamais faltei para com ele o respeito absoluto. Nunca bebi com meu pai sentado à mesa de um bar, não falamos sobre prostitutas, tratamos de jeitinhos ou arrumados. Nenhuma vez me levou a um campo de futebol nem me ensinou a escolher o caminho mais fácil.

Meu Pai dizia “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Bebia, fumava, era dedicado ao trabalho, jamais fez comigo uma tarefa escolar, muito menos foi a alguma reunião de pais e mestres, e daí, sempre esteve presente no meu ser, na ética e na consciência. A base da minha criação foi a educação.

Meu pai foi filho único, nascido em berço de ouro, fez o ginasial com professora particular em casa, mas perdeu o Pai ainda jovem e viu tudo mudar. Foi criado pela mãe viúva, que havia se separado sem ter sequer um canto para ficar. Ela abriu um pensionato para moças, cozinhava e costurava para sobreviver e educar seu filho.

Pai bom não é aquele que dá, mas aquele que incentiva, reconhece o esforço e acompanha o filho que deve realizar seus objetivos e traçar seu destino.

Antes de ser entubado e ficar inconsciente cantei para ele na UTI. Naqueles últimos momentos de lucidez percebi que sua mão direita estava sobre meu ombro. Jamais esquecerei. Faleceu três dias depois.

“Nossa senhora, me leva e me traz, ilumina o caminho, traz-me a paz”.

Cantei para ele várias vezes esse verso que a fiz, lembrando a canção de Roberto Carlos…

Nossa Senhora me dê a mão / Cuida do meu coração / Da minha vida, do meu destino / Nossa Senhora me dê a mão / Cuida do meu coração / Da minha vida, do meu destino / Do meu caminho /Cuida de mim.

Ele lutou contra um câncer horrível e venceu, mas a depressão o matou. Isso me marcou e dói muito.

Passados três anos, olho para minhas mãos e vejo as do meu pai, minha letra, quando escrevo, é igual à dele. O jeito de pensar e de fazer as coisas me impressiona.

Meu pai me deu amor, muito mesmo, sem nunca ter me dito “eu te amo”.

Ele chorou, eu vi, algumas vezes, nem por isso se fez fraco. Chora todo aquele que tem coração, aquele que ama de verdade. Quantas saudades. Amo-te meu Pai, para sempre! Onde quer que você esteja sempre estará no meu coração. Cuida de mim.

 

Joir Ramalho – Pós-Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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