PARISOT, UM POTIGUAR NO MUNDO – Diogenes da Cunha Lima

PARISOT, UM POTIGUAR NO MUNDO – 

O nosso Rio Grande é um estado densamente musical. Muitas cidades exibem bandas de música e conjuntos musicais. Temos excelentes compositores e intérpretes. A música é parte feliz do dia a dia dos potiguares.

O natalense Aldo Parisot provou às Américas e à Europa a nobreza do violoncelo. Por seis décadas, como professor da Universidade Yale, Connecticut, formou gerações de músicos norte-americanos. Tive o privilégio de conhecê-lo. Tinha fama de generoso e mal-humorado. Ao contrário, encontrei um homem afável, vertical como o seu instrumento e, certamente, carismático.

Por sua atuação musical, Parisot foi laureado pelas mais nobres instituições culturais, inclusive recebeu a Medalha da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi solista, convidado com seu stradivarius de 1730, nas filarmônicas de Berlim, Nova Iorque e Londres, e nas sinfônicas de Viena, de Boston, de Chicago e de Los Angeles.
No Brasil, Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Cláudio Santoro compuseram concertos para o violoncelo do músico potiguar. O maestro italiano Thomazzo Babini, que veio para o Rio de Janeiro como assistente de Villa-Lobos, incentivou Parisot.

Natal ainda era uma pequena cidade quando encantou Babini. Aqui, formou músicos de escol, entre os quais o seu filho Ítalo Babini, o enteado Aldo Parisot, o maestro Mário Tavares e o pianista Oriano de Almeida.

O menino Parisot, aos doze anos, apresentou, em Natal, com orquestra, um concerto de Haydn. Logo passou a ser reconhecido no Nordeste.

Esse cidadão prodigioso é pouco lembrado na sua cidade natal, com exceção da Escola de Música da UFRN, dos estudos da pesquisadora Leide Câmara e das anotações do acadêmico Eider Furtado.

Parisot recebeu uma única, mas definitiva homenagem, da Escola de Música da UFRN – “100 violoncelos para os 100 anos de Parisot” – sob a tutela do também ícone Fabio Presgrave, à frente do melhor conjunto de violoncelo do país. Lembrando que o reitor da UFRN, Daniel Diniz, doutor em Engenharia Mecânica, é violoncelista.

O músico também se destacou como artista plástico. Um crítico norte-americano afirmou a excelência da sua pintura abstrata. Contudo, a pinacoteca do Rio Grande do Norte não possui nenhum dos seus quadros.

Torço para que os norte-rio-grandenses, que valorizam a cultura e respeitam o nosso passado glorioso, lembrem e celebrem a memória desse grande artista que tanto elevou o nome do Estado.

 

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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