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Pacientes com diabetes sofrem com falta de insulina há 5 meses na rede pública de Natal

Pacientes atendidos pelo Prosus – serviço da rede pública de Natal que distribui medicamentos específicos para a população – alegam que estão sem receber insulina de ação prolongada desde o início de 2026, há quase cinco meses.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que, para as insulinas de ação prolongada, foi realizado um processo de aquisição do antidiabético do tipo Glargina, mas que a empresa vencedora do certame licitatório pediu desistência, “e o município ficou sem ata de registro de preço, o que dificultou a oferta dos insumos”.

A SMS informou que, após a desistência, iniciou a abertura de um novo processo licitatório para regularização do abastecimento, “que segue em trâmites finais”.

Segundo a pasta, o Prosus conta atualmente com estoque para as insulinas de ação rápida do tipo Asparte, com os insumos disponíveis para os usuários assistidos pelo programa.

Segundo os pacientes, o problema é recorrente. No ano passado, o insumo ficou disponível para retirada no Centro Clínico Zeca Passos, na Ribeira, onde é distribuído, apenas em outubro e novembro.

“Só falando do ano passado para cá, o ano passado nós tivemos a falta desta insulina prolongada de janeiro a outubro. Chegou em outubro, mas quando foi dezembro já faltou”, lembrou o aposentado Ozaías Carapuça.

“E este ano nós estamos com falta dela, ou seja, já são 5 meses que esta insulina está faltando, que é a de ação prolongada, que nós precisamos tomar para que durante o dia todo o corpo possa reagir à glicemia alta”, completou.

 

Em março deste ano, o Ministério Público do Rio Grande do Norte realizou uma fiscalização no Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde e identificou o desabastecimento de medicamentos básicos, incluindo a insulina de ação prolongada.

Por conta do problema, o MP deu um prazo de 15 dias para que fossem cumpridas as recomendações de ações administrativas e orçamentárias para repor os medicamentos em falta para a SMS e a secretaria de Administração de Natal, além da apresentação de um plano de ação com cronograma e estratégias para garantir o fornecimento regular dos itens.

Até esta quarta, no entanto, o problema não havia sido resolvido.

Pacientes também alegam falta de materiais

Sem a medicação, os pacientes têm precisado se desdobrar para conseguir pagar o medicamento, tirando o dinheiro do próprio bolso.

Eles dizem ainda que não tem materiais suficientes para todos pacientes no Prosus, como, por exemplo, o para medir a glicose.

A aposentada Francisca Oliveira informou que gasta até R$ 1,2 mil com remédios e materiais no tratamento da diabetes.

“Para comprar a fita, que às vezes não tem aqui, para comprar insulina, as agulhas. Eu que compro, com R$ 1,2 mil. Sozinha em Jesus, mas estou levando a vida”, falou.

Ela e outros pacientes permaneceram nesta quarta na fila no Centro Clínico Zeca Passos em busca de respostas.

“Eu estou aqui, doente, diabética, taxa muito alta… é 300, 400, 500. Só Deus sabe meu sofrimento. E eu não posso sair, né? Porque se eu sair, eu vou morrer”, lamentou.

O aposentado Ozaías Carapuça disse que o uso da insulina de ação rápida – que tem sido distribuída regularmente pela prefeitura – não funciona no caso dele e de outros pacientes.

“Mesmo tomando a insulina rápida, que é para o horário da alimentação, ela não é suficiente para que o seu corpo possa durante o dia permanecer [bem]. Ela age naquela hora”, falou.

Veja na íntegra a nota da SMS

“Em relação à dispensação de insulinas análogas de ação rápida e de ação prolongada para os usuários de Natal, a Secretaria de Saúde informa que atualmente o município realiza a distribuição desses insumos apenas para os munícipes portadores de Diabetes Mellitus tipo 2. A dispensação acontece por meio do ProSUS para usuários previamente cadastrados no serviço.

Atualmente, o serviço conta com estoque para as insulinas de ação rápida do tipo Asparte, com os insumos disponíveis para os usuários assistidos pelo programa. Para as insulinas de ação prolongada, foi realizado um processo de aquisição do antidiabético do tipo Glargina. A empresa vencedora do certame licitatório pediu desistência e o município ficou sem ata de registro de preço, o que dificultou a oferta dos insumos. Após o processo de desistência, a pasta iniciou a abertura de um novo processo licitatório para regularização do abastecimento, que segue em trâmites finais na Secretaria Municipal de Saúde.

A SMS Natal reforça que a pasta está empenhada em dar celeridade ao processo e regularizar o abastecimento dos insumos o mais breve possível.”

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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