O TEMPO SIMPLESMENTE PASSA –
Todos sabemos ser o costume, o principal moderador dos atos humanos. Quando era bem jovem, apressava-me para que tudo acontecesse com rapidez, lembro ao ser questionado sobre idade, espalmava as mãos mostrando dez dedos, quando na realidade, somente oito seriam necessários para representar a realidade dos fatos.
Desejava possuir barba, mas os anos apostavam na lentidão, impedindo brotassem os pelos tão esperados. Encantava-me ver o meu pai umedecer o pincel, girá-lo na caixa do sabão, e posteriormente passeá-lo no rosto de cima para baixo, deixando-o ensopado de espuma, para a seguir, usando navalha afiadíssima, cortar os cabelinhos rente a pele, e até as vezes ferir-se fazendo o sangue surgir. Eu queria as horas voando.
Logo depois, o tempo parece ter pegado gosto pela velocidade, pois se acostumou a fluir depressa demais, e agora, por mais que me esforce, não mais consigo pará-lo, chegando a conclusão ser impraticável ousar fazê-lo. Vai que o meu relógio biológico está errado.
A vida corre tão rápido, parece ter sido ontem, lembro de ver o sol raiar, era um mês de maio qualquer dos anos sessenta, eu era pequeno, cheio de sonhos e medos. Com o meu amadurecimento, alguns sumiram do mapa, enquanto outros surgiram, cada qual na época certa. Desde então, fui filho, pai e avô… estudante, engenheiro e professor… goleiro, turista e escritor. Convivi com milhares de pessoas de todo o planeta, a grande maioria de boa índole, sempre incentivando a deixar as trincheiras da acomodação, para viver prioritariamente no ataque na expectativa de atingir objetivos desejados.
E mais uma vez chegou a data do meu aniversário, pensando bem, tenho saudade dos que passaram, daquela fase em que sonhava com tudo o que encantava a minha imaginação e tanto gostaria receber como presentes, eram brinquedos de todos os tipos e se possível até o céu com todos os seus enfeites. Mas eu me preocupava, pois poderia até dar um jeito em guarda-los, mas nunca encontraria lugar para acomodar as estrelas, nem as nuvens, o sol ou a lua.
Conhecedor da rapidez com que os minutos escapolem, como grãos areia da praia derramam entre os dedos no piscar de olhos, sei que daqui a mais um ano, também sentirei falta do momento atual, por mais monótono que pareça ser devido ao isolamento social, nos extirpando a liberdade. E então, possivelmente experimentarei um vazio enorme quando, relembrando quando, fazendo uso de recursos tecnológicos, tive a oportunidade de participar de eventos virtuais inesquecíveis, que apesar da distância física existente, uniu o meu coração aos daqueles me amam.
Ao contrário de antigamente, no momento atual, sinto que o tempo não espera ser visto ou apreciado, ele simplesmente passa. Assim, neste ano de 2020, gostaria que o dia do meu aniversário, fosse marcado por uma forte tempestade, com raios e trovões rasgando os céus, em forma de felicidade, amor, benção, amizade, vitória, e principalmente de poder… e então me sentiria não somente realizado, mas principalmente poderoso o suficiente, para destruir de uma vez por todas este vírus que tanto nos maltrata. Não restam dúvidas: Eu estou de parabéns.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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