O TEMPO, A PAZ E A SABEDORIA DE ENTENDER MAIS DO QUE DISCUTIR – Raimundo Mendes Alves

O TEMPO, A PAZ E A SABEDORIA DE ENTENDER MAIS DO QUE DISCUTIR –

Há um momento na vida em que todos iremos perceber que o tempo deixa de ser apenas passagem e passa a ser aprendizado. Não é sobre quantos anos se viveu, mas sobre quantas experiências foram capazes de transformar a forma de enxergar o mundo e, principalmente, as pessoas.

Com o passar dos anos, a gente começa a perceber algo curioso: muitas das discussões que pareciam tão importantes simplesmente deixam de fazer sentido. Já vimos brigas por religião, por política, por time de futebol, debates acalorados que, no fundo, pouco constroem e muito afastam. É como se, em algum ponto da caminhada, a necessidade de estar certo fosse perdendo espaço para algo maior: a vontade de estar em paz.

Quando mais jovem, eu também quis ter razão em tudo. Quis convencer, impor, vencer discussões. Mas o tempo ensina e, ensina com firmeza que ganhar um argumento nem sempre significa ganhar na vida. Muitas vezes, significa apenas perder relações, desgastar vínculos e alimentar distâncias desnecessárias.

A maturidade traz uma mudança silenciosa, porém profunda: a troca do impulso de reagir pela disposição de compreender. Não se trata de abrir mão de convicções, mas de reconhecer que o outro também carrega suas razões, suas histórias e suas verdades. E isso exige algo que só o tempo costuma lapidar: *humildade.

Outra lição que a vida impõe é sobre coerência. Já vi e todos nós já vimos pessoas que falam bonito, que expressam fé, que defendem valores elevados, mas que, na prática, tratam os outros com dureza, indiferença ou até desprezo. Isso nos leva a uma reflexão inevitável: de que adianta o discurso, se ele não se traduz em atitude?

Talvez a verdadeira medida de quem somos não esteja no que dizemos, mas na forma como agimos quando ninguém está aplaudindo. Está no respeito que demonstramos, na ajuda que oferecemos sem interesse e na coragem de reconhecer nossos erros.

Hoje, minha escolha é pelo simples, mas não pelo fácil. Respeitar as pessoas, mesmo quando penso diferente. Ajudar quando está ao meu alcance. E, sobretudo, pedir desculpas quando erro, porque reconhecer falhas não diminui ninguém, pelo contrário, engrandece.

Se há algo que o tempo me ensinou, é que viver bem não é acumular certezas, mas cultivar relações saudáveis. Não é vencer discussões, mas preservar a paz. Não é impor verdades, mas construir pontes.

E, sinceramente, se essa forma de viver, mais leve, mais humana, mais consciente, não for uma expressão verdadeira de fé, então talvez seja hora de repensarmos o que entendemos por fé.

Porque, no fim das contas, entender pode ser muito mais transformador do que simplesmente estar certo.

 

 

 

Raimundo Mendes Alves –  Advogado

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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