O SOM DA CASA CHEIA DE AMOR – Alberto Rostand Lanverly

O SOM DA CASA CHEIA DE AMOR –

Recentemente, após os festejos de janeiro e recesso do carnaval, somente em companhia de Ana minha esposa, voltei a nossa casa no Arquipélago do Sol, que por incrível que pareça, apesar de vazia, apresentava-se inquieta, rangendo sob o peso da ausência, como se protestasse contra o sossego forçado.

Nem parecia aquela, que dias atrás recheada por netos, filhos, filhas, respirava em silêncio, absorvendo vozes, sorrisos, passos apressados, murmúrios das conversas, o calor dos corpos preenchendo cômodos, enquanto paredes satisfeitas, se aquietavam como se o próprio tempo ali encontrasse repouso.

Amigos deles chegavam a cada instante, aumentando ainda mais o coro da felicidade. E a cozinha gourmet? Ah, essa virou o centro da festa, sempre abastecida com bolos, sanduíches e hamburgueres tatuados com a masca Lanverly, tudo isso preparado com carinho.

No meio dessa bagunça encantadora, o cachorro Snow corria animado de um lado para outro, enquanto o gato Lukke, com sua típica superioridade, observava tudo de um canto estratégico, nem sempre se rendendo à euforia geral.

Mas como tudo na vida, esse ciclo de festa tem seu fim. As aulas recomeçaram, malas foram fechadas e eles, um após outro partiram. Agora, apenas nós, os avós, restamos por aqui. A piscina reflete apenas o céu, a sala está arrumada demais, cantoria silenciou, meu coração dói sentindo falta do olhar de cada um.

Entendo que as férias terminaram, e com elas partiu a algazarra contagiante que tomava conta da habitação, onde durante semanas, cada canto foi palco de risadas, correria e pura alegria. Crianças de todas as idades, dos três aos quinze anos, transformaram a moradia em verdadeiro clube de diversão.

Cada dia mais me convenço que a nosso lar, não foi construído para o vazio, pois assemelha-se aos corpos que sentem a falta de alma quando os habitantes se vão. E então, na solidão, fazem barulho em contraponto ao silêncio, que antes era sinônimo de descanso, agora soa ensurdecedor.

Mas resta o consolo de que, em breve, todos nos reuniremos novamente, trazendo de volta o barulho mais bonito do mundo: o som da casa cheia de amor.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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