O SILÊNCIO GUIA A PALAVRA – Alberto Rostand Lanverly

O SILÊNCIO GUIA A PALAVRA –

Outro dia, participando da Santa Missa, ouvi do pároco, em sua pregação, uma frase simples, porém carregada de profundidade: “A palavra é breve no som, mas infinita no poder.” A sentença ecoou em minha mente durante todo o dia.

Passei então a meditar sobre o alcance dessa verdade, pois a palavra acompanha o ser humano desde os primeiros passos da vida. Com ela aprendemos, ensinamos, consolamos, corrigimos, prometemos e também ferimos.

Observando esse cenário, percebo que muitas vezes a palavra é usada com mais pressa do que reflexão. Fala-se muito, escuta-se pouco, e pensa-se menos ainda. Talvez por isso, ao recordar a frase do pároco, compreendi com maior clareza o valor de algo que frequentemente passa despercebido: o silêncio.

Sou daqueles que apostam no silêncio. Não como forma de defesa, nem como refúgio diante das dificuldades, mas como espaço de maturação interior. O silêncio permite observar o mundo com mais atenção, perceber intenções escondidas e compreender melhor as pessoas. Ele nos ensina que nem toda resposta precisa ser imediata e que, muitas vezes, a sabedoria está justamente em saber quando não falar.

O silêncio, longe de ser vazio, é território fértil. É nele que a consciência organiza pensamentos e que a prudência encontra lugar para florescer. Quando cultivado com equilíbrio, ele protege a dignidade da palavra, pois impede que o verbo seja gasto em disputas inúteis ou em discursos vazios.

Há pessoas que aparentam grande luminosidade exterior, mas carregam por dentro uma alma ornamentada por sal, matéria que conserva as aparências, porém resseca a essência. Brilham por algum tempo, mas não aquecem, não alimentam e não transformam.

A palavra, afinal, continua sendo breve no som, mas infinita no poder. Por isso, cada ser humano precisa escolher que destino deseja dar a ela: se será instrumento de verdade, de construção e de fraternidade, ou apenas eco de vaidades passageiras.

Quanto a mim, sigo preferindo o caminho em que o silêncio prepara a palavra e a consciência guia o verbo. Porque, quando pronunciada com responsabilidade, uma única palavra pode iluminar mais do que mil discursos vazios. E quando nasce do silêncio refletido, ela se torna não apenas som, mas significado.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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