O PERIGO MORA AO LADO –

A Doutrina Monroe foi instituída pelo presidente norte-americano, James Monroe, em 1823. Em tese defendia a ideia de a “América para os americanos”, daí considerar como um ato hostil qualquer manifestação de recolonização das Américas por países da Europa.

Estabelecia também a não intromissão dos Estados Unidos nos assuntos internos dos países latino-americanos, nem a intervenção em conflitos gerados nos países europeus.

Em suma, a Doutrina Monroe objetivava impedir a influência colonial europeia no hemisfério ocidental. Resultou que a Doutrina Monroe consolidou a preponderância dos EUA no continente americano, submetendo os países ali contidos a uma subordinação econômica e política ao povo norte-americano.

Eis que Donald Trump, durante a invasão da Venezuela avoca para si o renascimento da Doutrina Monroe. Acontece que ele distorce de forma radical o conceito dela, quando intervém numa nação aliada com força militar sem qualquer cerimônia ou justificativa.

Além do mais, ameaça ingerir de maneira semelhante no México, Cuba e Colômbia. Como se não bastasse tantas frentes de desavenças, ainda coage de invasão a Groelândia, maior ilha do mundo, situada no extremo norte do globo terrestre e sob domínio da Dinamarca, caso não a consiga comprar.

A gana intervencionista dos Estados Unidos está criando um clima de insegurança no planeta, idêntico ao visto quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia, em 1939, buscando a segurança mediante o expansionismo territorial. E deu no que deu. Isso, menos de um século atrás.

Louve-se de passagem, que foi graças à participação dos EEUU na Segunda Guerra Mundial, que já atingimos a um quarto do século XXI sem quaisquer conflitos nucleares.

Durante algum tempo somente os americanos dispunham da bomba atômica. Hoje, nove países possuem o privilégio maligno: EEUU, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.

Ameaças de dispararem alguns desses artefatos já as ouvimos algumas vezes, mas sempre nos apegamos ao velho ditado que diz: “Quem quer fazer não avisa e quem não quer acha desculpa!”

A verdade nua e crua é que o potencial nuclear de posse dessas nações tem o poder de extinguir a humanidade, por isso a razão de ouvirmos tantas bazófias. Porém, basta uma mente desequilibrada num desses países que, contrariada ou inconformada, resolva apertar o botão do Apocalipse para vermos o clarão do fim do mundo.

Tal hipótese é tão tenebrosa que pode até causar arrepios em quem a expõe ou a quem, mesmo remotamente, a admite. Por isso, o melhor a fazer é esquecer o pessimismo do articulista e aproveitar os momentos agradáveis deste começo de ano.

Partamos da premissa de que para todo problema existe uma solução, excetuando-se para a morte. Porém, não excluamos a dura realidade de o perigo residir ao nosso lado.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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