O OTIMISMO CONSTRUTIVO –
O amor é um dos privilégios do otimista. Os pessimistas não conseguem ver o melhor do outro, nem mesmo o lado bom. A origem da palavra é do latim optimus que significa “o melhor”. Lembremos também a exata expressão de Leibniz (1646 – 1716): “Amar é encontrar a própria felicidade na felicidade alheia”.
Pablo Neruda, o poeta das Américas, aclara o resultado do pensamento otimista: “Ele mexe com o destino à sua vontade. Ao escolher o melhor você cria uma expectativa positiva que detona o processo da vitória”.
Até mesmo a felicidade é prerrogativa do otimismo. O pessimismo denota pobreza de pensamento e sentimento, é aliado da depressão, traz sujeição ao negativismo.
O otimismo constrói quando a pessoa é firme nos propósitos, determinada, resoluta. Por outro lado, deve ser atenta à realidade sob pena de se tornar prisioneira de ilusão, sonho, fantasia.
O otimista conduz a sua vontade, que lhe dá força produtiva. Estudos revelam que fortalece o sistema imunológico físico e mental.
Gonzaguinha não reclamava quando dizia na canção que a vida devia ser bem melhor, acrescentando: e será. Ou seja, mais que a esperança, a fé em um futuro melhor. E conclui o seu canto repetindo a beleza da vida.
É preciso colher, acolher, recolher nas alegrias de tudo o que estamos vivendo. Não perder tempo com ressentimento, raiva, mágoa, que são doenças do espírito.
Se soubermos perdoar, temos arma para tornar toda maldade inútil. Os maus não terão capacidade de nos ferir.
A tendência do pessimista é acreditar apenas que a sua vida vai acabar com a morte. O outro tende a crer na salvação da alma, na imortalidade, prêmio no seu comportamento terrestre. É um ser entusiasmado, no exato sentido etimológico, conduz Deus dentro de si.
Geralmente, o pessimismo é infrutífero porque não vê a possibilidade de ser socialmente útil. O outro busca ser útil e ser feliz. Ninguém é feliz sem ser útil nem é útil sem ser feliz. O otimismo ajuda a superar obstáculos, os fracassos ocasionais, pois sabe bem viver e bem conviver.
Toda profissão exige do profissional certo otimismo. No exercício diário da advocacia há mais de cinquenta anos, aprendi que o otimismo é imprescindível ao advogado. Acreditando-se na Justiça e no Direito, que embasam a causa do cliente, deve-se ter a atitude positiva, a crença de ser reconhecida a legitimidade do que se defende. O insucesso não abate o profissional otimista, haja vista que sempre haverá tempo de reversão da decisão falha. Existirá sempre uma vigésima quinta hora.
Sou otimista de nascença, crônico, por isso tenho todo o direito de repetir que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN
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