O ORGULHO DE SER PORTUGUÊS – Diogenes da Cunha Lima

O ORGULHO DE SER PORTUGUÊS –

‘Culturologicamente’, nós somos gregos, romanos, portugueses para, então, sermos brasileiros. A nossa herança cultural básica, maior, é lusitana. De Portugal, herdamos a língua, costumes, culinária, arquitetura, escultura, pintura, literatura, folclore, a religião cristã, as festas juninas e o carnaval. Incorporamos riquezas das culturas africanas e indígenas.

Integraram-se ao nosso patrimônio cultural o pensamento globalizante, a música, as canções de ninar, a dança, o teatro popular e os romances velhos transformados em cordel. Assim, as marujadas e cheganças, os pastoris navegam em Nau Catarineta. As crianças se divertem repetindo canções de roda.

Lamentável que pessoas, desavisadas, depreciem as nossas raízes. Chegam a afirmar que melhor seria se tivéssemos sido colonizados por outro povo. Bobos inventam anedotas, caricaturando a lógica formal portuguesa.

A verdade é outra. Portugal é uma nação mundialmente reconhecida por seu pioneirismo, criatividade, bravura. É o povo que criou a história alargando o planeta. Foi o primeiro Estado-Nação da Europa, o primeiro a ter uma sequência de reinados unificados e estáveis com a dinastia de Avis. Foi o precursor em ter a cidadania planetária.

Valorizador das ciências e das artes, um povo plasmador de heróis.

Desde o século XIV, Portugal tinha um projeto e, para isso, formou (Escolas de Sagres) os melhores matemáticos, astrônomos, geógrafos, cartógrafos, engenheiros navais. Construíram a caravela que possibilitou a formação do primeiro império global pelos Senhores do Oceano. Antes mesmo da Holanda e da Inglaterra. Sua presença estava, no começo do século XVI, em grande parte do Oriente, China, Índia e Japão. Já o famoso Mapa de Campino, de 1502, registra terras que seriam do Canadá como “domínio do Rei de Portugal”.

É certo que o feito de Cristovam Colombo ofuscou o brilho dos heróis das Grandes Navegações portuguesas. Esmaeceu o heroísmo náutico de algumas figuras, tais como: Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Duarte Pacheco Pereira. Este se antecipou a Cabral (1498) visitando os atuais estados amazonenses, e do Maranhão, por ordem do sereníssimo rei Dom Manoel.

Nenhuma nação tem mais forte caráter português do que a nossa. Somos uma nação feita de energia, de amor e de esperança. Sociólogos, etnólogos, folcloristas registram as virtudes da nova nação. Somos adaptáveis a todas as culturas e geografias. Obedecemos, mesmo sem pensar, ao verso camoniano: “que toda terra é pátria para o forte”.

O outro grande poeta, Fernando Pessoa, sabia dos perigos do mar, da escuridão do mundo que iria descobrir quando afirmou que quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.

O forte lirismo português é também como o nosso, com maior capacidade guerreira. Concluo citando uma quadrinha do cancioneiro popular do outro lado do Atlântico: “Eu sou filho das estrelas / junto do céu fui criado / perdi-me na noite escura / fui em teu peito encontrado”.

Portugal nos orgulha.

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

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