O MUNDO ESTARIA PERDENDO A NOÇÃO CIVILIZATÓRIA? –
Hoje (28/02) se noticiou novo bombardeio da força aérea turca contra alvos civis da Síria, seria uma retaliação a outro ataque do lado da coalização sírio-russa, que abateu 34 militares da Turquia. Pior de tudo a indiferença das superpotências. E mais: a pouca reatividade da ONU.
E diziam que uma guerra nuclear seria devastadora para a humanidade, mas, vejamos. Esses bombardeios pontuais contra populações civis atingem agora hospitais e escolas. E as cenas dantescas que se apresentam nem sempre podem ser exibidas pela mídia, para não provocar possíveis choques psicológicos em pessoas sensíveis ou enfermas.
Uma organização humanitária para a qual eu contribuo há alguns anos, Médicos Sem Fronteiras (MSF), está de testemunho nesta área de conflito e relata imagens de estarrecer. Esse conflito na Síria já se arrasta por quase uma década, e o atual momento é tido como dos mais graves para a organismos internacionais de aferição de conflitos e calamidades. Na terça-feira na região de Idlib, o terror se ampliou para aquela população já tanto arrasada e traumatizada por tantos anos de ofensiva militar.
Quase um milhão de pessoas precisou abandonar suas casas nos últimos três meses, e justamente esses grupos de pessoas desalentadas a caminho e em busca de abrigo que acabaram sendo alvo das bombas lançadas dos aviões nesta semana.
Os abnegados integrantes médicos do MSF relataram que quatro escolas e dois jardins de infância acabaram bombardeados, com as funestas consequências. Três hospitais da região amparados pelo Médicos Sem Fronteiras acolheram 185 feridos graves em maioria, metade deles mulheres e crianças. Chegaram já sem vida dezenove pessoas, muitas destas crianças.
O coordenador-geral do MSF em vídeo-apelo refletiu o drama e a dimensão do sofrimento inimagináveis. Enquanto mães se agarravam a suas crianças ao colo enquanto as bombas caíam, pais procuravam acalmar os filhos, tentando reduzir o foco de traumas que teriam de carregar penosamente pela vida. Se há regras a serem seguidas por tribunais de guerra pelos relatos de tanta crueza não parece que estejam sendo obedecidos minimamente na Síria em chamas.
O coordenador do MSF apela para que as partes em conflito respeitem ao menos o Direito Internacional de cunho Humanitário e não ataquem áreas civis. Igualmente é preciso que as grandes nações possam agir com rapidez em situações urgentes como a que ocorre agora com as crianças de Idlib.
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