O MEU MUITO OBRIGADO A UM HERÓI – Filipe Bezerra

O MEU MUITO OBRIGADO A UM HERÓI –
Hoje pela pela manhã  fui com meu filho fazer exames num laboratório. Minutos após a minha chegada um senhor de idade, caminhando com dificuldade, chegou amparado por alguém que parecia ser seu neto e sentou numa cadeira que ficava quase de frente à minha.
Procurei na mente aquele rosto que me parecia familiar e logo o reconheci. Tratava-se nada mais, nada menos do que uma lenda da segurança pública  potiguar: o “xerife” Maurílio Pinto.
Numa época em que as desigualdades sociais eram bem maiores que as atuais e que as crianças brigavam pra ser a polícia nas saudáveis brincadeiras de “polícia e ladrão” (o discurso da época delimitava exatamente quem era mocinho e vilão) a criminalidade violenta era contida pela valentia e coragem dos policiais da época. Os bandidos perigosos eram poucos e estavam presos ou mortos. Todos sabiam quem eram “Naldinho do Mereto, Brinquedo do Cão, Nego Demir e Paulo Queixada” que mofavam presos na Penitenciária João Chaves (naquela época eles não tinham coragem de fugir).
As famílias andavam tranquilas nas ruas e as crianças da época – e eu era uma delas – podiam jogar tranquilamente futebol sobre os paralelepípedos das ruas dos bairros.
Naquele tempo Natal não era a décima segunda cidade mais violenta do mundo. Longe disso! Era, na verdade, a capital mais segura do Brasil. Doce época em que tínhamos paz social!
Mas o aquele senhor de ralos cabelos brancos estava lá, anônimo e já sentido o peso dos anos nos ombros. Pensei em cumprimentá-lo mas não sabia muito bem como fazer isso. Lembrei de uma propaganda americana onde um jovem agradecia a um soldado, que lutara no Iraque, pela sua liberdade. E este, ao reconhecer no braço de um idoso a tatuagem da cavalaria blindada que lutou no Vietnam, fez o mesmo agradecimento àquele senhor anônimo que estava no balcão de uma cafeteria.
Já na saída da clínica o velho Xerife segurou gentilmente no braço do meu filho e o cumprimentou sorrindo. Era a oportunidade que eu precisava. Perguntei se ele era quem eu pensava. Ele confirmou. E aí, de pronto,disse ao apertar sua mão:
– Muito obrigado pelos serviços prestados. Boa parte da paz social que tive na  minha infância e adolescência devo a homens como você!
Façamos como o primeiro mundo: celebremos nossos verdadeiros heróis e coloquemos os bandidos em seus devidos lugares!
Filipe BezerraPolicial Rodoviário Federal, bacharel em Direito pela UFRN, pós-graduado em Ciências Penais pela Anhaguera-Uniderp, bacharelando em Administração Pública pela UFRN e membro da Ordem dos Policiais do Brasil.
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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