O INFERNO DE DANTE, SERÁ QUE ESTAMOS NELE? –
Dante Alighieri viveu 56 anos. Nascido em Florença, na Itália, foi escritor e político, sendo inclusive exilado por oposição ao Papa e suspeita de corrupção. Morreu em Ravenna na Itália. A Divina Comédia, entre suas várias escritas é a mais conhecida, mais questionada e interpretada. Descrita em forma de versos é transcrita no cinema, teatro, pinturas e outras formas artísticas, por todo o mundo. Composta por três momentos: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, levou 14 anos para sua construção, sendo sua ultima e terceira parte divulgada após a sua morte em 1321. É o protagonista na própria obra, identificando-se como um indivíduo questionador, frágil, apaixonado e pondo em cheque o bem e o mal na busca de um padrão ético.
No livro o Inferno tem uma de suas frases que vejo muito propicia para o momento que estamos passando, no mundo e no nosso Brasil: “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”.
As mudanças sociais, politicas e tecnológicas, sempre existiram, claro. O problema é a velocidade dessas mudanças e a cobrança para isso, com repercussão no comportamento das pessoas. O alto nível de cobrança e comprometimento promove muitos acertos e também muitos erros, com grandes perdas nas relações sociais, principalmente nos mais simples e vulneráveis. Criam-se grupos discordantes, agressivos, oportunistas e perigosos. Os extremos conseguem aglutinar um maior numero de membros em função de oportunidades, medos ou comodismo argumentativo. Em alguns momentos de calmaria da humanidade, a maioria se concentrava no centro, onde todos escapariam das agressões e compartilhavam os resultados. Atualmente estamos passando por agressões da natureza e de pessoas. O que fazer? É a grande questão. Para onde migramos? A resposta não é tão fácil, nem simplista. Merece uma grande reflexão e análise para decidir. O que não devemos fazer é se omitir, simplesmente fugir ou menosprezar o seu poder de decidir o que é mais importante e fundamental para a sobrevivência sua, de seus familiares ou de uma comunidade, mantendo um equilíbrio emocional e duradouro. Acertei ou errei? O acerto servirá para uma continuidade de projeto . O erro servirá como oportunidade de uma correção responsável, inteligente e comprometida com você, sua família e por que não dizer com a sociedade.
A neutralidade em tempo de crise é impossível para uma sobrevivência . Mais tarde ou mais cedo, você terá que decidir. Existem muitos espaços entre os extremos. O que não deve fazer é se excluir da decisão, ficar alienado, mesmo sendo intelectual ou um simples indivíduo do povo. Nesse momento, não existe diferença, todos temos o mesmo peso, o que decide é a maioria. Essa forma é simplesmente o que caracteriza uma democracia. Se é assim que queremos viver. Caso contrário, também é assim que será decidido e nem sempre será muito fácil de mudar no futuro.
Maciel Matias – Médico mastologista, maciel.omatias@gmail.com
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