O BRASIL ACORDOU –
Ditado como A esperança é a última a morrer se adequa ao momento que desfruta a política brasileira. O Congresso Nacional que estava desvirtuado de sua essência porque figuras sem quaisquer expressões ocupavam cadeiras antes pertencentes a reconhecidos membros ilustres, parece-nos haver renascido.
Agora a seriedade prevaleceu na escolha dos integrantes do parlamento nacional. E pensar que em sinal de protesto já chegamos a eleger um rinoceronte, o Cacareco, para vereador em São Paulo; um chimpanzé, Macaco Tião, para a prefeitura do Rio de Janeiro; o bode, Ioió, para o legislativo municipal de Fortaleza; e, o mosquito da Dengue, como voto de protesto para a prefeitura de Vila Velha (ES).
A política brasileira atravessava uma de suas piores fases, enquanto vicejavam barbaridades nunca vistas antes perpetradas por membros da instância maior da justiça do país, além de escândalos envolvendo integrantes do Congresso, que deixavam transparecer a inexistência de zelo, de ética e de caráter em alguns de seus integrantes.
A tal ponto estava desacreditado o Congresso Nacional, que personalidades esdrúxulas conhecidas nas redes sociais e na televisão disputaram vagas, em diferentes estados, mas não conseguiram votações para conquistarem as cadeiras pleiteadas.
Em Minas Gerais, Menina da Bota não alcançou votação suficiente; em São Paulo, Manoel Gomes, famoso pelo hit “Caneta Azul”, também perdeu. No Ceará, estado natal do comediante Tiririca, não renovou o seu mandato. Em Goiás, Papa-Capim recebeu apenas 995 votos. Isso para citar alguns dos muitos casos.
Ficou evidente que nem sempre a popularidade advinda da internet e da televisão são suficientes para garantir vagas no Legislativo. A verdade é que o perfil do nosso Senado mudou por completo. As 81 cadeiras que o configura agora estão assim ocupadas: 47 de direita, 18 de esquerda, 15 de centro e uma sem classificação.
A surpresa maior consistiu em sabermos que expoentes do PT, presentes há anos no cenário nacional e já considerando cativas as suas cadeiras no Congresso Nacional, perderam os mandatos. São exemplos: Renan Calheiros, Gleisi Hoffman, Randolfe Rodrigues, Simone Tebet, Marina Silva, Paulo Pimenta e Manoela D’Ávila.
Espera-se agora que o novo Congresso consiga levar adiante inquéritos que envolvem nomes de peso dos três poderes da República e assim sanear o país de desmandos ali perpetrados, pois muitos questionamentos ainda estão em aberto.
O povo deu o seu recado, cabe agora aos novos dirigentes atender o anseio da coletividade e dar provas de suas boas intenções no comando da nação e no parlamento, mostrando a intolerância para com desmandos e atos espúrios.
Confesso que eu já estava descrente de quaisquer mudanças que melhorassem o cenário político nacional. Fiquei surpreso com o resultado do último pleito e a esperança renasceu em mim.
O povo acordou e impediu que o nosso país se transformasse em mais uma republiqueta do Terceiro Mundo ou se esparramasse no lodaçal da corrupção. Vimos tal providência acontecer aqui, no Brasil em 2026. O que prova não existir poder maior que a vontade popular expressa pelo voto livre num país democrático.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
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