O anúncio de uma nova bolsa de valores no Rio de Janeiro (RJ) foi comemorado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e por Claudio Pracownik, presidente da empresa responsável pela operação da bolsa carioca, a Americas Trading Group (ATG).
A cidade volta a ter uma bolsa de valores depois de 20 anos. Mas a notícia vem em meio a um momento difícil para o mercado de IPOs (sigla em inglês para Ofertas Públicas de Ações) no Brasil: já são quase três anos de seca, em que nenhuma empresa brasileira se lançou na bolsa.
O último IPO brasileiro foi do Nubank, que abriu capital na Bolsa de Valores de Nova York, a NYSE, em dezembro de 2021. Naquele ano, inclusive, houve recorde no número de registros de ofertas públicas primárias de ações: foram 46 empresas no ano.
De lá para cá, o nível mais elevado de juros, mesmo em economias desenvolvidas como os Estados Unidos, diminuiu o apetite de investidores por ativos de renda variável. Esperando um momento mais propício para captar dinheiro no mercado, as empresas se retraíram.
Um relatório da consultoria EY apontou que o número total de IPOs feitos pelo mundoencolheu 12% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2023, de 624 para 551 ofertas registradas.
O volume financeiro movimentado neste mesmo intervalo registrou uma queda de 16%, indo de US$ 62,5 bilhões (R$ 340,8 bilhões) para US$ 52,2 bilhões (R$ 284,6 bilhões) na mesma base de comparação.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a inflação persistente que impede os Bancos Centrais de baixarem os juros ainda deve adiar a volta dos IPOs para o final deste ano — ou até para o começo de 2025.
Especialistas consultados pelo g1 destacam três principais fatores para a falta de IPOs no Brasil:
▶️ Juros nos Estados Unidos
Um dos principais motivos para a redução do interesse das empresas em abrir capital é a frustração com o adiamento do ciclo de cortes de juros nos EUA por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Em cenário de juros mais altos por lá, investidores preferem direcionar o dinheiro para os Treasuries (ativos do Tesouro norte-americano, considerados os mais seguros do mundo), do que colocar em aplicações de risco. Em outras palavras: se há boa rentabilidade na segurança, o interesse em bolsa de valores diminui.
No final do ano passado, com a melhora dos indicadores de inflação e dos sinais de uma economia mais contida nos EUA, o mercado não apenas previa que o Fed faria o primeiro corte de juros entre março e maio, como também esperava de seis a sete reduções das taxas por parte da instituição ao longo do ano.
Houve uma empolgação em todo o mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bateu seguidos recordes. Mas esse cenário não se concretizou, uma vez que os índices de preços norte-americanos não cederam e a atividade da maior economia do mundo continuou acelerando.
“O mundo inteiro foi decepcionado com a expectativa de redução de juros nos Estados Unidos que ainda não veio. E como isso não aconteceu, temos dificuldade em ver fluxos [de recursos] gringos entrando no país”, explica o corresponsável pela área do banco de investimentos do Bank of America (BofA) no Brasil, Bruno Saraiva.
▶️ Fluxo estrangeiro no Brasil
Conforme ficou claro que os juros demorariam a cair nos EUA, a maior atratividade dos títulos públicos norte-americanos se reforçou e reduziu ainda mais o interesse em investimentos de risco nos países emergentes, como o Brasil.
Os investidores estrangeiros respondem por mais da metade do volume movimentado mensalmente na B3, a bolsa de valores brasileira. Em 2024 até 12 de julho, foram retirados mais de 30 bilhões em recursos estrangeiros do mercado nacional.
“Assim como o mundo, a gente também vinha passando por questões de juros, inflação e atividade, com previsões mais otimistas no começo do ano que não vieram”, diz o sócio e especialista em IPOs da EY Brasil, Rafael Santos.
A preocupação com o cumprimento das metas de controle dos cofres do país já vinha desde abril, quando o governo propôs reduzir as metas para as contas públicas dos próximos anos e passou a prever superávit (receitas maiores que despesas) apenas em 2026.
Os últimos dados, inclusive, não são muito animadores. Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, as contas do governo federal registraram déficit primário de R$ 61 bilhões em maio deste ano.
E esses temores cresceram em junho, quando novas falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refletiram nos mercados.
Entre outras coisas, o presidente afirmou que seria necessário avaliar se a saída para as contas públicas seria via corte de gastos ou aumento na arrecadação, além de ter feito críticas à atuação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e ter dito que o real estaria sendo alvo de um ataque “especulativo”.
Mas mesmo diante da maior preocupação dos investidores — que contribuiu para que o câmbio atingisse os R$ 5,66 em junho, maior patamar em dois anos e meio — especialistas apontam que a má impressão foi maior do que a real mudança de cenário, e os números brasileiros seguem consistentes.
“A verdade é que não houve uma piora significativa. O Brasil continua fazendo reformas, vai ter reforma tributária e várias outras melhorias. O desemprego também está baixo e a renda está crescendo. Mas o fato é que os ruídos não ajudam”, afirma o diretor do Bradesco BBI Felipe Thut.
▶️ Interrupção de cortes na Selic
Por fim, outro ponto que também tem afastado o interesse dos investidores por ativos de renda variável é a interrupção do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, desde a última reunião de política monetária feita pela instituição, em junho.
Como o g1 já mostrou, o principal motivo para a pausa nos cortes da Selic foi um reajuste das expectativas de inflação pelos agentes econômicos, que passaram a projetar um aumento mais veloz dos preços, deixando-os mais longe da meta do BC.
É o que o mercado chama de “desancoragem” das expectativas. Esse ambiente de mais incerteza sobre os preços deixa o BC mais receoso sobre o patamar em que precisa manter os juros para que se mantenha o controle da inflação.
“Para que os investidores voltem a investir em bolsa de valores novamente, temos que ver queda da Selic e dos juros de longo prazo, para que o mercado de renda fixa ofereça uma rentabilidade menor e isso incentive os investidores a voltar para a renda variável”, disse Thut, do Bradesco BBI.
De acordo com os especialistas consultados pelo g1, é preciso ainda ver uma melhora concreta no cenário para que as empresas voltem a abrir capital na bolsa de valores. Assim, a previsão é que o mercado volte a se aquecer apenas no final deste ano — ou no começo de 2025.
Segundo dados da ferramenta FedWatch do CME Group, o mercado acredita atualmente em uma chance de 85,6% de que o Fed dê início ao ciclo de cortes dos juros norte-americanos em setembro.
“A verdade é que não houve uma piora significativa. O Brasil continua fazendo reformas, vai ter reforma tributária e várias outras melhorias. O desemprego também está baixo e a renda está crescendo. Mas o fato é que os ruídos não ajudam”, afirma o diretor do Bradesco BBI Felipe Thut.
▶️ Interrupção de cortes na Selic
Por fim, outro ponto que também tem afastado o interesse dos investidores por ativos de renda variável é a interrupção do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, desde a última reunião de política monetária feita pela instituição, em junho.
Como o g1 já mostrou, o principal motivo para a pausa nos cortes da Selic foi um reajuste das expectativas de inflação pelos agentes econômicos, que passaram a projetar um aumento mais veloz dos preços, deixando-os mais longe da meta do BC.
É o que o mercado chama de “desancoragem” das expectativas. Esse ambiente de mais incerteza sobre os preços deixa o BC mais receoso sobre o patamar em que precisa manter os juros para que se mantenha o controle da inflação.
“Para que os investidores voltem a investir em bolsa de valores novamente, temos que ver queda da Selic e dos juros de longo prazo, para que o mercado de renda fixa ofereça uma rentabilidade menor e isso incentive os investidores a voltar para a renda variável”, disse Thut, do Bradesco BBI.
De acordo com os especialistas consultados pelo g1, é preciso ainda ver uma melhora concreta no cenário para que as empresas voltem a abrir capital na bolsa de valores. Assim, a previsão é que o mercado volte a se aquecer apenas no final deste ano — ou no começo de 2025.
Segundo dados da ferramenta FedWatch do CME Group, o mercado acredita atualmente em uma chance de 85,6% de que o Fed dê início ao ciclo de cortes dos juros norte-americanos em setembro.
Ele destaca, no entanto, que não são todas as empresas que devem conseguir ir para as bolsas dos Estados Unidos. “O mercado norte-americano é mais rigoroso, e não é todo mundo que está pronto”, conclui.
Para os analistas consultados pelo g1, a bolsa carioca deve ter pouco efeito no número de empresas que devem decidir abrir capital no Brasil, apesar de ser vista como alternativa positiva para trazer mais maturidade para o nosso mercado.
Para Santos, da EY, a tendência é que a nova bolsa do Rio traga um acesso maior ao mercado de capitais, como forma de atender às companhias em fase menos madura, ou em fase de expansão.
Fonte: G1
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