Em passeio pelo shopping, uma vitrine me chamou atenção pela multiplicidade de coisas para vender: desde isso que você pensou até aquilo que estou lembrando.

Fiquei curioso e, de ala em ala percorri todos os setores da loja em busca de… de que mesmo? Não sei.

Comprar, nos dias de hoje, já requer um especialista que nos ajude a escolher o que queremos realmente.

A variedade de marcas, suas nuances, tipos e finalidades diversas nos leva a exacerbar a decisão sobre esse ou aquele produto.

Lembro-me como era fácil ir ao mercado para se abastecer dos alimentos básicos, como feijão, arroz, farinha, carne, frutas e verduras. Escolhia tudo a granel, dizia quanto queria, pesava na balança de dois pratos, acomodava no balaio, ou cesta de vime, recebia a “conta”, pagava e… vamos pra casa!

Hoje vamos ao supermercado e diante de tantas opções, temos até medo de errar.

Essa diversidade de ofertas parece contaminar o nosso ‘faniquito’ por comprar, que até fica mais emocionante. Ao mesmo tempo em que nos sentimos fragilizados diante da massificação de ofertas e ‘novidades’, também nos sentimos fortes em pegar o produto na prateleira como se não déssemos ‘bolas’ para as variedades e, ‘tibungo’ dentro do carrinho.

“Vovô meu xampu acabou! Vamos comprar outro?”

Pra começar tinha xampu hora do banho, azul, verde, amarelo, rosa, leitoso, cheirinho prolongado, baby e crescidinhos, para cabelos claros, lisos, cacheados, escuros, hora do sono, sem lágrimas…

Coloquei todos em fila e Lucas foi abrindo cada um deles e sentindo o aroma que mais agradava. “Pronto, é esse!”.

Antes parece que era mais simples: cabelos secos, oleosos e normais. Aproveitei para passar a vista nos xampus para adultos e quase pirei: cabelos opacos, ondulados, lisos, volumosos, sem volume, frágeis, de raízes oleosas, pontas secas, danificados, enfraquecidos, quimicamente tratados, uso diário, disciplinante, todos os tipos de cabelos, e até para cabelos cansados. Ufa! Eu é que fiquei cansado.

Sorrindo descambei para outras prateleiras e a mesma cantiga: light, diet, natural, orgânico, hidropônico, sem glúten, menos calorias, zero gordura, clássico, descafeinado, com ômega 3, integral, instantâneo, e por aí vai.

Quer ter uma ideia do que é multiplicidade, abra a porta de um guarda-roupa feminino ou ainda dê uma espiada na bancada e no armário do banheiro.

Tenho certeza que você já ouviu: “Não tenho uma roupa para sair”.  E no armário, uma infinidade de coisas para cada parte do corpo: cremes para olhos, pescoço, pés, mãos, seios, bumbum, pernas. Cada um operando um milagre: hidratar, limpar, tonificar, regenerar, combater, eliminar, esfoliar, firmar…

É de deixar qualquer um com “síndrome de decisão”.

Escolher faz parte da natureza humana. A preferência por uma coisa e não por outra acompanha o homem a partir do momento em que dá o primeiro choro.

Na vida temos que decidir, e a todo o momento somos forçados a escolher algo que pode significar continuidade ou interrupção. Dependendo das escolhas que fizermos teremos ou não uma vida bem sucedida. A escolha tem que ser inteligente, pois implica em ter que abandonar outros interesses, às vezes conflitantes no sentido realista dos valores e das proporções assumidas.

Conhecer-se já é uma escolha inteligente, pois só um profundo conhecimento de nós próprios dá a liberdade de escolha entre dois ou mais caminhos. O desejo de acertar em nossas escolhas deve ser perseverante e criteriosa, uma vez que o “escolhido” pode ter vida própria. A lucidez racional mediante as opções serve de escudo para nos ajudar a fazer escolhas acertadas com uso da razão.

Escolha é compromisso.

Quem disse que escolher é fácil? Quem disse que faremos sempre a escolha certa?

Quando a dúvida chegar à frente da decisão, resta ainda ouvir o coração. E se mesmo assim não sabe como fazer, converse com Deus que Ele com certeza fará você dar o primeiro passo de forma mais confiante.

Não podemos ter tudo que queremos, por isso, as escolhas certas nos momentos certos necessitam de muita coragem.

Esse ou aquele?

Faça suas indagações e reflita sobre se as decisões tomadas no trajeto da vida foram bem sucedidas. Mas não fique apoiado no “Se”, pois ele carrega também todas as incertezas da escolha original.

Sejamos humildes ao receber um não quando o sim era o esperado.  Tenhamos sabedoria e serenidade se por alvoroço de nossos pensamentos, fizermos a escolha errada. Que saibamos corrigi-la e seguir confiante na nova escolha.

Qualquer que seja sua intenção, escolha sempre o caminho do bem.

Você está pronto para suas escolhas?

 Pense nisso!

CARLOS ALBERTO JOSUÁ COSTA, engenheiro civil e consultor (josuacosta@uol.com.br)

Ponto de Vista

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