MOULIN ROUGE – José Carlos Gentili

MOULIN ROUGE –

Vivre sa vie, no dizer do cineasta Jean-Luc Godard no auge da Nouvelle Vague francesa, em idos de 1960, quando a Capital da Esperança nascia, no dizer de André Malraux, que a conheceu em sua gestação.

Vivre le belgian Simon Pitel, falecido em 24.9.2022, dono do pioneiríssimo Restaurante Roma, onde se comia um spaghetti alla puttanesca com as bailarinas da vida, madrugada a fora.

Hoje, supremos bailarins, a relembrar Rudolf Nureyev, do Teatro Bolshoi, alguns vestidos com as cores do arco íris, desfilam a grandeza de suas vãs idiossincrasias.

Mariazinha, Night and Day e Tirolesa – “alegres casas de oração”-, dos primórdios de Brasília, respeitosamente guardadas as devidas proporções nativas, faziam-nos relembrar o mundo do Moulin Rouge tupiniquim, meio à terra avermelhada do Planalto Central.

Os indefectíveis e naturais imbróglios a Guarda Especial de Brasília-GEB resolvia, pois havia ordem na Cidade Livre e circunvizinhanças.

A Lei e a Constituição eram cumpridas no ato!

A Suprema Corte abrigava, então, integrantes de notável saber jurídico e reputação ilibada, de saudosa lembrança, tais como Hermes Lima, Vitor Nunes Leal, Neri da Silveira, Paulo Brossard, Moreira Alves, Aliomar Baleeiro, Francisco Rezek, Gonçalves de Oliveira, Nelson Hungria, Vilas Boas, Hahnemann Guimarães e tantos outros luminares, que de alguns fomos alunos universitários, eis um privilégio imorredouro.

Hoje, os tempos são outros!

Todavia, no dizer hilário do ilustre Romildo Azevedo, membro da Academia de Letras de Brasília, “as pessoas são como as criaturas”, no jargão popularesco.

Os meninos, em 1 a.C. na velha Roma, etimologicamente, eram nominados de putus, a gerar puto, também em Portugal.

Há uma verdadeira mélange de gêneros e valores societários.

“A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.”, no dizer de Rui Barbosa – a Águia de Haia–, a merecer profunda reflexão em nossos dias atuais.

Análises reflexivas não guardam limites político-partidários, mas situam-se no âmbito das observações sensatas das realidades temporais, sob o condão da liberdade de expressão.

Os mitos são imbatíveis, imortais.

“A cena mais corajosa do mundo é ver um grande homem lutando contra a adversidade”, afirmava Sêneca, Mestre da Retórica.

 

 

 

 

 

 

 

José Carlos Gentili – Membro da Academia de Letras de Brasília e da Academia das Ciências de Lisboa

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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