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Milhares de artefatos são recolhidos em sítio arqueológico de mais de 3,5 mil anos em Goiás

Milhares de artefatos foram recolhidos em um sítio arqueológico de 3.520 anos em Montes Claros de Goiás, na região oeste do estado, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O coordenador de campo da pesquisa e arqueólogo, Matheus Araújo, da empresa Sapiens Arqueologia, explica que a descoberta foi feita após uma solicitação do órgão, para licenciamento ambiental em uma área de plantio de cana-de-açúcar.

“A gente está vibrando, porque não é fácil encontrar um sítio arqueológico com uma preservação tão grande. É uma conquista não só para a comunidade científica, mas para o público em geral, pois podemos falar um pouco de como nossos antepassados eram antes da chegada dos colonizadores”, comemora Matheus.

O coordenador explica que é um achado muito significante para a ciência. Segundo Matheus, é muito difícil encontrar sítios arqueológicos nas condições deste de Montes Claros de Goiás, com quantidade grande de vestígios, grupos distintos e datação. Arqueólogo do Iphan Goiás, Danilo Curado também ressalta a relevância da descoberta.

“É um conjunto de informações que o tornam único em terno de preservação. Ele representa a gênesis de ocupação do homem no estado de Goiás, por isso é tão simbólico e importante, por todo seu contexto e características, duas ocupações e itens importantes, como pinturas rupestres que mostram o pensar do homem na época”, pondera Danilo.

O Iphan aponta que foram encontradas pinturas rupestres, e 3.229 artefatos de pedra e cerâmica, como pedaços de vasilhames, ferramentas de corte e raspadores de pedra, além de restos ósseos de mamíferos e porções de carvão. No mesmo local, a pesquisa identificou a passagem mais recente de outro grupo de pessoas, antes da colonização, mas a data deste não pode ser confirmada, conforme o arqueólogo.

“A datação mais antiga é de 3.520 anos, eram grupos humanos que não fabricavam muitos utensílios, mas lascavam pedras e rochas para caçar. Nós conseguimos a datação após encontrar amostras de Carbono 14 em pedaços de carvão”, explica o profissional.

Após autorização do Iphan, amostras de carvão foram encaminhadas para o Laboratório Beta Analityc, em Miami, nos Estados Unidos, para datação por radiocarbono, que confirmaram a “idade” do sítio.

Segundo o Iphan, o sítio foi identificado em 2019, mas o resgate, que é o salvamento do sítio, só foi feito em janeiro deste ano. O instituto explica que até um sítio ser descoberto ele passa por diversas fases, primeiro a identificação, depois a delimitação e, por fim, o resgate.

Matheus explica que, no geral, o salvamento consiste primeiro na retirada dos objetos dos locais escavados para estudo e produção de relatórios. Em seguida, os profissionais os higienizam, remontam vasilhames e encaminham tudo para um museu ou universidade. No caso do Toca da Anta, os itens foram enviados ao Museu Histórico de Jataí.

O Iphan explica que o primeiro grupo que passou pelo sítio é considerado como de humanos “caçadores-coletores”. Já o segundo, de horticultores-ceramistas que, segundo o coordenador de campo Matheus, usavam os vasilhames para guardar água e comida.

Matheus explica que a pesquisa conseguiu identificar algumas amostras de ‘ocre’, uma espécie de mineral bem vermelho, que indicou um caminho para a datação. O levantamento apontou que o material pode ser relacionado ao grupo de 3.520 anos, mas coordenador não descarta que o outro grupo possa ter feito.

“Essas pinturas estavam bastante desgastadas, porque o abrigo não tinha muita proteção de vegetação e o sol tem incidência na parte da manhã inteira, fora a ação chuva e vento. Mas identificamos padrões geométricos e cruciformes”, fala Matheus.

O Toca das Antas, conforme Matheus explica, é o sítio mais antigo encontrado durante a pesquisa, mas outros quatro também já foram localizados. Segundo o Iphan, na cidade de Montes Claros de Goiás, já foram identificados outros 19 e cadastrados pelo Centro Nacional de Arqueologia (CNA) do instituto.

De acordo com o Iphan, escavações alcançaram 2,5 metros de profundidade e foram encontrados mais de 3 mil artefatos de pedra e cerâmica. A área, que fica no Parque Industrial do Setor Elétrico de Bioenergia, foi delimitada em 7.640 m².

O coordenador da Sapiens Arqueologia menciona que o sítio foi denominado de “Toca da Anta”, pois tinham animais morando no local, que é uma espécie de abrigo rochoso. Matheus aponta que o primeiro levantamento e cadastro do sítio no Ipahn foram feitos em 2019, mas que as escavações foram realizadas de maio a agosto de 2021.

Trabalharam na pesquisa o coordenador geral Mozart Araújo, o coordenador de campo Matheus Araújo e os arqueólogos Pedro Procedino, Edward Koole e Paolo Werner.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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