MEU FUTURO É MEU PASSADO – Guga Coelho Leal

MEU FUTURO É MEU PASSADO –

Natal época festiva, época de alegria e de tristeza, época de Paz. Já não tenho grandes sonhos, aliás quase já não tenho sonhos. O tempo acho que me foi favorável. Fui na vida profissional um aspirante a nível médio, não fui dos melhores, mas também não fui dos piores, fiz bem meus serviços de engenharia, procurei educar bem os meus filhos.

Conquistei amigos, gosto deles como eles gostam de mim. Já não tenho grandes sonhos, casei, constituí família. Os filhos cresceram, os netos também, cada um no seu rumo, no seu espaço, já não brincam mais com o pai avô, a esposa já não fica mais no portão a me esperar à tardinha, não se arruma para mim e pergunta: Estou bonita? A rua está ficando triste, os amigos morreram quase todos.

Lembro bem dos namoros nas matinés nos clubes, nos cinemas. Esperar a namorada na saída do colégio, namorar no banco da Praça, como era diferente. Ah! Ia esquecendo, dos jogos colegiais, ginásio lotado.

Como era bom andar de bicicleta ou lambreta com a namorada, chegar para o pai pedir a semanada e a chave do carro para passear com a amada. Até o jipe do Detran que corria atrás da moçada me traz saudade. Como eram belos os carros, Fusca, DKW, Gordine, Simca, Aero  Willys, Rural e Jeep Willys.

Tudo passou muito ligeiro, mas, deixou um mundo imenso dentro de mim, a Redinha, a festa do caju, a tapioca com ginga de Dalila e Geraldo, a travessia na Ponte Velha e nos botes e lanchas do Rio Potengi, os domingos e feriados na |Praia do Forte depois Praia dos Artistas, das serenatas acompanhado pelo violão do colega Jovelino Freire, não faço questão de ter amigos, quero conservar os verdadeiros e pedir a Deus que não os leve tão ligeiro, já sofri demais vendo alguns partirem.

Hoje, olho sereno para o céu e me lembro deles aqui na terra, amigos e parentes foram muitos, uma batalha árdua, perdida no front e os que dela sobreviveram certamente vão voltar aquele lugar. Graças a Deus sou um comandante de um barco a navegar em aguas agitadas, mas, procurando manter-se firme na direção.

Vou partir sei, mas quero deixar aqui o meu legado, andar de cabeça erguida para servir de exemplo para aqueles que eu amo

Quero a paz tranquila, serena. Peço e a Deus no final desta caminhada, eu poça me orgulhar de toda minha existência. Falhei algumas vezes, mas quem não falhou? Lembro um olhar, lembro um lugar, seu vulto amado.

 Já não tenho planos para um futuro, meu futuro é meu passado, penso nele os dias.

 

 

 

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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