MEU… – Flávia Arruda

MEU… –

Quantas vezes nos pegamos dizendo: minha vida… meu emprego… meu marido… minha casa… meus filhos… meus segredos… meus sentimentos. Hoje, me peguei tentando entender o verdadeiro significado dessa palavra usada, habitualmente, por nós: meu. Um pronome possessivo que se refere à posse de algo, ou alguém, como se nos pertencesse verdadeiramente.

Tênue pensamento que nos faz enveredar por um mundo de fantasias, criando ilusões de que podemos ter tudo o que desejamos, e que podemos sair com avidez atrás de outras coisas e seres para serem nossos. E a cada bem conquistado, a ele nos referimos com um “meu…”.

Meu? O que realmente é meu? Reflito sobre o que esse vocábulo representa na minha vida, então percebo quão enorme pretensão a minha, em achar que algo ou alguém é meu. As coisas são efêmeras, vãs, escapolem por entre os dedos de nossas mãos e se esvaem ao léu.

Algumas nos deixam boas recordações, porém, outras devastam a nossa vida – eis-me recorrendo, outra vez, da possessividade. Cabe dizer aqui que, se algo ou alguém realmente me pertencesse, eu poderia ter a supremacia de permitir, ou negar, que esse algo ou alguém se integrassem absolutamente no “meu” viver.

Percebo claramente que nada nos pertence; que estamos fadados a sermos invadidos e invasores ao mesmo tempo e a todo instante. Ora, se nem o que sai das minhas entranhas eu posso afirmar que é meu – é praxe dizer que criamos os filhos para o mundo!

Nem os meus mais profundos segredos são meus. Por muito tempo pensei que eu fosse dona da minha vida, dos meus pensamentos, dos meus mistérios e silêncios. Ah, ledo engano!

Imagino, que me desprender de toda e qualquer pretensão de ter algo ou alguém, é a única maneira inteligente de sobreviver a todo esse caos. Nego-me a possuir o que quer que seja. Permito-me, tão somente, desfrutar daquilo que me for oferecido, naquele momento, usufruindo com toda abnegação e todo prazer que a alma ditar.

Quando entendermos que coisas e pessoas pertencem ao mundo, e que ele apenas nos empresta oportunidades para que possamos crescer e evoluir, então conseguiremos dar nossa contribuição para a evolução da humanidade.

Concluo esse raciocínio afirmando que, para ser feliz, é necessário simplesmente abnegação, desambição, desapego. Portanto, peremptoriamente, aborto da existência a mim determinada neste planeta, de todo e qualquer sentimento de posse. Esse é o “meu” pensamento.

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora

 

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3080 DÓLAR TURISMO: R$ 5,5170 EURO: R$ 6,2250 LIBRA: R$ 7,1560 PESO…

23 horas ago

MP denuncia oito pessoas por esquema de sonegação que causou prejuízo de R$ 1,5 milhão no RN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte ofereceu denúncia contra oito pessoas investigadas em…

23 horas ago

Motorista de carreta-tanque fica preso às ferragens após acidente na BR-101 no RN

Uma carreta-tanque tombou na BR-101, em Goianinha, no litoral Sul do Rio Grande do Norte,…

23 horas ago

Viatura da PRF capota durante perseguição a motociclista na BR-101 na Grande Natal

Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) capotou na noite dessa quarta-feira (21), durante uma…

23 horas ago

RN tem recorde de transplantes em 2025, mas segue com filas de espera por órgãos

O Rio Grande do Norte registrou um recorde no número de transplantes de órgãos realizados…

23 horas ago

Justiça condena governo do RN a pagar R$ 500 mil de indenização por assédio moral em secretaria

A Justiça do Trabalho condenou o estado do Rio Grande do Norte a pagar R$ 500…

24 horas ago

This website uses cookies.