MALDADE POR OMISSÃO – Ana Luíza Rabelo

MALDADE POR OMISSÃO –

É um titulo bem estranho, já que o comum das pessoas consideradas “boas” é: eu nunca fiz mal a ninguém, por conclusão, sou uma pessoa “boa”. Esse argumento é ainda corroborado pelo antigo ditado popular que prega que “muito ajuda quem não atrapalha”. E todos os fatos nos levam, erroneamente, ao entendimento de que basta não ser mal para ser bom.

Infelizmente, nem tudo na vida é preto no branco, e a ausência de maldade não é sinônimo imediato de bondade. Um exemplo clássico de tal fato é a omissão de socorro, que é um crime, tipificado em nosso Código Penal. Você não deu causa ao sofrimento daquele ser humano, mas eximir-se da responsabilidade de socorrê-lo não o torna melhor que o criminoso. De fato, o torna um criminoso também.

Muita gente passa a vida se gabando sobre suas qualidades: nunca roubei, nunca matei, nunca isso e nunca aquilo. Enfim, sou honesto e bom. Mas, se formos aprofundar a conduta desta criatura, encontraremos mais outros “nuncas” que foram inteligente ou inocentemente omitidos (olha aí essa palavra de novo): nunca ajudei, nunca fui simpático, generoso com meu tempo ou meu dinheiro, nunca fui compassivo, paciente e amoroso.

Nenhuma dessas ausências de conduta faz de alguém uma pessoa boa em sua definição ampla.

A falta do ódio não nos transforma em seres amorosos, assim como a falta de energia elétrica não torna tudo escuro por definição, pois, se abrirmos as janelas, poderemos ver a lua e as estrelas.

Os grandes exemplos de bondade do mundo não perderam seu tempo pensando o que eles não precisavam fazer para ser bons, mas pensavam o que poderiam fazer para sê-los. Não existe nada, nenhuma sensação neste mundo, que se compare a realizar um legítimo ato de bondade, de deitar-se para dormir sabendo que naquele dia você deu o seu melhor, mesmo que tenha sido para uma única pessoa.

Não é necessário muito esforço. Os princípios básicos da boa educação são os primeiros passos. Bom dia, por favor e obrigado não são palavras extintas na nossa língua e oxalá nunca sejam.

Uma antiga propaganda de televisão pregava que “não basta ser pai, tem que participar” e é possível estendermos este conceito a todo momento e ocasião do nosso dia a dia. Não basta ser amigo, tem que ouvir e apoiar; não basta não ser mal, tem que sair da zona de conforto (ou seria zona de preguiça?) e estender a mão.

Dê do seu tempo, da sua boa vontade, da sua educação. Dê conselhos, paciência, ensinamentos. Retribua à vida aquilo que você recebeu e, assim, somente assim, a omissão deixará de ser o único obstáculo para que você seja uma pessoa realmente boa.

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Ana Luíza Rabelo Spencer, advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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