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Mais refeições em casa, dietas e pratos rápidos são tendências pós-pandemia, diz pesquisa da USP

onsumo de produtos saudáveis tende a aumentar após a pandemia — Foto: Letícia Baptista/G1

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queroz (Esalq-USP) mapearam os costumes alimentares durante a pandemia do novo coronavírus e os possíveis novos hábitos de alimentação dos brasileiros a partir dos próximos meses.

A pesquisa indica que a preferência por alimentos mais saudáveis e práticos e a maior quantidade de refeições em casa estão entre as mudanças que vão continuar fazendo parte da rotina de muita gente. Com isso, mercados e hortifrútis terão de se adaptar à nova realidade, alerta o levantamento.

Ao G1, Fernanda Geraldini, que é pesquisadora da área de hortifrúti do Cepea, cita um estudo da Universidade de Londres (UCL) que diz que bastam 66 dias para uma rotina se transformar em hábito. É por isso que os pesquisadores acreditam que alguns dos novos costumes serão permanentes.

Foram coletados dados de colaboradores do Cepea e analisados relatórios da Euromonitor, Galunion, Kantar, Worldpanel, Cielo, Nielsen, BTG Pactual e PMA Brasil. A pesquisa foi publicada em 17 de agosto na revista Hortifrúti Brasil, da Universidade de São Paulo (USP).

Novos hábitos

O estudo do Cepea buscou identificar as mudanças alimentares causadas pelo distanciamento social que vão permanecer no período que chamam de “pós-isolamento” – que não é necessariamente o fim da pandemia. Além disso, indica as mudanças que têm potencial de se tornar hábitos.

Os pesquisadores sugerem que as compras em mercados online, incluindo as de produtos frescos, vão continuar ocorrendo mesmo depois de a pandemia acabar, abrindo oportunidades para os varejos investirem em novos canais de venda de alimentos que não sejam os prontos.

Eles também acreditam que, mesmo após as flexibilizações da quarentena, o medo de contaminação pela Covid-19 vai continuar durante longo tempo, tornando permanentes alguns cuidados.

Impactos aos mercados e hortifrútis que o estudo destaca:

  • aumento das refeições em casa, reduzindo a venda em restaurantes e fazendo com que os proprietários prefiram o uso de produtos congelados aos in natura;
  • maior procura por frutas e hortaliças no varejo tradicional, principalmente em supermercados e atacarejos;
  • pela praticidade, os sanduíches são a principal opção de refeição em casa. Isso favoreceu o varejo tradicional, mas desfavoreceu o setor de hortifrúti – que não fornece os ingredientes de costume para essas refeições.

 

Alimentação saudável e praticidade

O estudo da USP também mostra que muitas pessoas que se importavam com a boa alimentação, principalmente para aumentar a imunidade, passaram a preferir os alimentos mais ricos em calorias para se consolar durante o longo período de distanciamento social. Entre eles estão fast-foods, bolos e pizzas.

Com isso, conforme a pesquisa, a preferência pelos produtos mais saudáveis, principalmente de origem vegetal, será ainda maior que antes da pandemia, já que os consumidores vão querer compensar os ganhos calóricos.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores indicam que os brasileiros vão preferir o preparo de pratos mais práticos, entre eles os sanduíches.

Além disso, o estudo espera que as vendas nos pequenos comércios locais terão alta, sendo que, antes, os consumidores recorriam aos supermercados até para a compra de produtos mais básicos e encontrados facilmente em lugares menores.

Outras tendências para os próximos meses mapeadas pela pesquisa:

  • consumidores que tiveram impacto na renda vão se tornar, temporariamente, mais seletivos, reduzindo a venda de itens mais caros;
  • venda do mamão e do melão devem ser menores até 2022, já que são frutas muito consumidas em hotéis, que tiveram redução de movimento ou ate mesmo fecharam;
  • produtores com menos intermediários até o consumidor final serão menos impactados na baixa de vendas;
  • agricultores familiares que vendiam os ingredientes para preparo de merendas escolares continuarão sentindo o menor escoamento dos produtos até o fim do ano.

 

 

Fonte: G1

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