LULA, NA HORA DA DEFINIÇÃO – Ney Lopes

LULA, NA HORA DA DEFINIÇÃO –

No momento, o presidente Lula encontra-se numa posição delicada, embora seja mais popular do que os “companheiros” esquerdistas Gabriel Boric no Chile e Gustavo Petro na Colômbia. Já o seu inimigo político – o ex-presidente Jair Bolsonaro – enfrenta a perspectiva de acusações criminais, por alegada tentativa de golpe após as eleições de 2022, e dificilmente participará da próxima eleição.

O Brasil entre 2022 e 2024 teve período atípico de três anos seguidos de avanços sociais e econômicos. Repetir esse bom resultado e sustentar a tendência de queda será desafiador em 2025. O desafio maior é Lula desde já definir se disputa ou não a reeleição. Outra hipótese é sinalizar o candidato do seu sistema político.

Classe média

O cenário macroeconômico será certamente mais difícil, com a tendência de alta do dólar, preços internacionais e de alimentos. No ambiente interno, ainda haverá incerteza em relação às medidas econômicas adotadas. Os percentuais de miséria e pobreza devem ficar estacionados ou até registrar alguma alta. Outra questão é que as chances eleitorais dependem da classe média, que na pesquisa representa 44% da amostra, percentual majoritário dentro do total. Atrair parte desse contingente de renda média é crucial para Lula ampliar as chances de reeleição. Um risco a ser levado em conta.

2026

No momento, aprovação de Lula caiu mais de 3,5 pontos percentuais para 47,1%, em relação ao mês anterior, aproximadamente. A mesma parcela de brasileiros, de 47,3%, disse que não aprovava o presidente, o que significa que sua aprovação líquida caiu 5 pontos em relação a outubro. Para 2025, a projeção do FMI para o crescimento do país cai de 2,4% para 2,2%. Crescerá menos que a média do mundo.

O crescimento da Argentina em 2025, segundo o FMI será de 5%. A alta expressiva torna o país como a principal economia que terá o maior crescimento na América do Sul. Entretanto, o número de argentinos que vivem abaixo da pobreza aumentou de maneira significativa. De modo geral a conjuntura global – sobretudo na América Latina – é de incertezas. Mas, cada governo traçará os caminhos do futuro, já que aqueles que tentam evitar a incerteza, terminam por evitar possibilidades de soluções.

Chega a hora da definição de Lula, com os olhos voltados para 2026.

 

 

 

 

Ney Lopes – jornalista, advogado e ex-deputado federal

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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