“LULA DE MÃOS ATADAS NÃO DESLANCHA” – Ney Lopes

“LULA DE MÃOS ATADAS NÃO DESLANCHA” –

Não se nega a experiência e a capacidade de articulação política do presidente Lula.

Mas, o seu governo não deslancha, até agora.

Tem enfrentado diversas crises e desafios.

Em princípio, a análise isenta aponta que a causa principal são as oscilações do presidente ao dar ouvidos a sua velha-guarda, que pensa ter vencido as eleições de 2022 e somente olha para o próprio umbigo.

Claro, que esse bloco não pode ser desprezado. Mas não pode “ditar as regras do jogo”.

A vitória nasceu de uma coligação de partidos. É necessário lembrar isto.

Era notório, que Lula no governo não teria o conforto de uma lua de mel pós-eleições, aspecto agravado pela pequena margem da vitória.

A polarização não recuou, até por ser estimulada pelo próprio Lula, que não esquece Bolsonaro.

Persiste o grau de desconfiança, em relação ao Presidente no Congresso Nacional, dirigentes de vários setores da economia, especialmente finanças, agroindústria e incrivelmente de sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Sabe-se a dificuldade da definição de um governo, coordenar partidos, compor maiorias no Parlamento, atender a demandas sociais e agentes de mercado.

O grande problema é que na área política o governo mostra muita desarticulação.

A culpa não é de ministro “a”, “b”, ou “c”.

A culpa é da forma como foi montado o governo, transformando-se num “saco de gatos”.

Permanece no ar a indagação de qual seria o plano estratégico de Lula, acostumado a enfrentar desafios em sua trajetória política, como escândalos de corrupção, batalhas legais e as controvérsias em relação à sua candidatura presidencial.

Um dos vetores fundamentais da governabilidade até agora é inegavelmente o deputado Artur Lira, que demonstra habilidade, mas não foge aos compromissos assumidos com a Casa que preside, o que é absolutamente normal..

Em que pese a sua experiência parlamentar, Lula errou ao tentar juntar azeite com água, querendo o apoio de Lira e de Renan Calheiros, inclusive dando um ministério para o filho do senador alagoano.

As trocas de acusações entre ambos não cessam nas redes sociais, gerando instabilidade à base política do governo.

Outro obstáculo consentido por Lula é privilegiar o PT na nomeação de ministérios e postos-chaves.

A realidade mostra que o presidente negociou em torno de si 14 partidos, que formam painel heterogêneo, com siglas desde a esquerda até a direita, que não se dobra com facilidade ao Planalto.

A experiência política mostra, que quando o Executivo monta coalizões com partidos diversos, sem compartilhar poderes e recursos de forma proporcional ao peso político de cada um, cria condições para crises permanentes.

É o que vem acontecendo.

Hoje, o Planalto tem asseguradas o apoio de cerca de 130 de 513 cadeiras no plenário da Câmara, embora a base com partidos que integram o governo seja maior.

Outro fator a ser considerado será a posição futura dos partidos de centro direita.

O projeto desses partidos é ter um candidato para confrontar Lula em 2026, ou vai querer negociar agora ministério e apoio?

Geralmente, a exemplo do União Brasil, esse segmento político faz alianças pela metade, ou seja, não leva todos os seus integrantes.

Gera sempre dores de cabeça para o governo.

O preocupante e deplorável é que ao final, o Congresso sempre se transforme num “mercado persa”, com a negociação de liberação de emendas.

Só em 2023, o previsto é o pagamento de R$ 36,5 bilhões, em emendas parlamentares.

Não se nega a legitimidade da destinação de recursos para os municípios.

Todavia, a lei precisa mudar, para condicionar a liberação das emendas a existência de projetos técnicos pré-elaborados, para evitar os escândalos que ocorrem atualmente.

Os projetos abrangeriam “consórcios” de municípios, ou seja, uma obra semi-regional, atendendo o maior número de pessoas.

O ministério do Planejamento e governos estaduais atenderiam os municípios, quando necessários, para elaboração dos projetos.

Quanto a indicação de cargos, considero normal, desde que siga critérios éticos.

Quem sobe no palanque de campanha tem direito a coparticipação do governo.

A forma seria a bancada partidária indicar nomes, com o respectivo curriculum.

O governo escolheria três dos nomes entre os sugeridos e o partido decidiria quem indicar.

O objetivo é preservar a competência do indicado.

Diante de tantas dificuldades para o governo deslanchar, constata-se que a grande dificuldade de Lula se chama Partido dos Trabalhadores, a começar pela intransigência agressiva da presidente do PT, Gleisi Hoffman, que assume permanentes posições de oposicionista, a tudo que é proposto.

Em tais situações, o presidente fica realmente de mãos atadas e por isso não foi possível ainda deslanchar.

 

 

 

 

 

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal, nl@neylopes.com.br

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

Brasil reduz em 72% mortalidade de crianças menores de cinco anos desde 1990, aponta relatório da ONU

Em 1990, a cada mil crianças nascidas no Brasil, 25 morriam antes de completar 28 dias de…

43 minutos ago

Quanto tempo você precisa trabalhar para comprar comida em Natal?

Você já parou para pensar quantas horas por mês é preciso trabalhar para comprar comida…

45 minutos ago

EUA usam bomba de penetração contra posições do Irã no Estreito de Ormuz, diz Comando Central

O Comando Central dos EUA disse ter utilizado nessa terça-feira (17) bombas de penetração profunda…

48 minutos ago

Supremo condena deputados do PL por corrupção passiva

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nessa terça-feira (17) dois deputados federais…

53 minutos ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

1- Hoje é dia de Clássico-Rei! A venda de ingressos para o primeiro jogo da…

57 minutos ago

Polícia prende segundo suspeito de participar de morte de adolescente na Grande Natal

A Polícia Civil prendeu nessa terça-feira (17) o segundo supeito de participar do homicídio da adolescente…

1 hora ago

This website uses cookies.