LAVEI A ALMA E O CORPO, COM ÁGUA SALGADA –
Decidimos ir à praia. De máscaras, que estranho. Saudade do tempo onde minha preocupação era levar o protetor solar e dinheiro trocado para a água de coco! Ou, talvez, se devia usar biquíni ou maiô! Ao entrar no carro a chuva cai. Continuamos? Ele me pergunta. Claro! Seguimos em frente. A pergunta é coerente. Ele me conhece e sabe que não curto banho de chuva. Nunca entendi aquilo de ficar sob a bica num frio louco sentindo a chuva cair no corpo. ‘Pode gripar’, mamãe dizia. Não fiz isso na infância, imagina agora!
Isto faz parte de algumas de nossas diferenças. Ele com infância livre, irmãos, primos e amigos na rua, eu filha única por muito tempo. Ele com cicatrizes causadas pelos tombos, eu intacta, nunca subi uma árvore ou um muro! Ele é praia, eu sou piscina. Ele é café, eu sou chá. Ele é lençol, eu cobertor. Ele é avião, eu carro. Ele é filme, eu livro. Ele é razão, eu coração.
Diferenças que nos completam, não nos afastam. Gosto de andar na praia, olhando o mar. Ele gosta de entrar na água e aproveitar o silêncio. Sempre que vamos à praia ele prefere os mergulhos enquanto eu fico olhando ao longe o horizonte.
Só que o mundo mudou. Fiquei tentando lembrar a última vez que havíamos ido à praia. Não me recordo. Janeiro? Dezembro? Faz tempo, isso eu sei. Temos respeitado a quarentena, Deus sabe disso. Mas a saúde mental nos exigiu este momento. Fomos a uma praia distante. Todos os cuidados tomados. Chegamos lá e o tempo foi fechando. Nuvens pesadas. Vento forte. Por isso sua surpresa quando decidi entrar no mar e enfrentar as ondas. Juntos. Ondas fortes, água salgada.
Que saudade de tudo isso! Como precisávamos disso. E, de repente, cai a chuva. Forte, imperiosa, mostrando que meus gostos são tolice. Ela chegou sem preâmbulos, com gotas pesadas e repetitivas. E eu amei! Amei a chuva e as ondas, lavando meu corpo e minha alma. Amei ficarmos juntos olhando para o infinito, em silêncio, cada um em seu mundo, mesmo sabendo que nossos mundos se completam.
E me peguei pensando…
Se soubesse que tudo isto teria acontecido, teria aproveitado mais a liberdade. Quantas vezes nas últimas semanas me peguei pensando assim? Teria reclamado menos no trânsito, caminhado no parque sem me cobrar bater meta, apenas me deliciando com a natureza. Teria ido mais à praia, sentado na areia, bebendo água de coco, vendo o vai-e-vem das ondas. Teria comido sem tanta pressa, sem contar calorias! Teria ficado mais tempo conversando nas calçadas. Teria prolongado por mais minutos as conversas nos corredores. Enfim! Parece-me uma lista interminável de “se”…
O chacoalhar da pandemia nos oportunizou repensar a vida. Em meio a tantas coisas ruins, ela me permitiu rever gostos, sonhos, decisões… E me deu a chance de mudar.
Agora eu entendi a delícia do banho de chuva!
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista e Professora universitária
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