O julgamento da maior parte dos assassinatos ocorridos no episódio conhecido como “Massacre do Carandiru” começa nesta segunda-feira (29) em São Paulo. Segundo o Tribunal de Justiça, o destino de 27 policiais militares, acusados de matar 73 presos durante uma rebelião no complexo do Carandiru, deve ser decidido até o final desta semana.
Essa é a segunda etapa do processo judicial, que tem 84 réus e foi desmembrado em quatro fases. A primeira ocorreu em abril, quando 23 policiais foram condenados a 156 anos de prisão por assassinar 13 detentos. Ela dizia respeito aos crimes ocorridos no primeiro andar do pavilhão nove, o local do massacre.
Os sentenciados dessa primeira etapa do julgamento receberam o benefício de recorrer da condenação em liberdade. Grande parte dos policiais que estarão no banco dos réus a partir de hoje atuou no segundo andar do pavilhão e pertencia à controversa unidade policial conhecida como Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) na época do massacre.
O juiz responsável não será o mesmo da primeira fase. José Augusto Nardy Marzagão foi transferido para uma comarca no interior e será substituído pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.
O promotor Fernando Pereira da Siva afirmou que a recente onda de desaprovação da sociedade contra as ações violentas da Polícia Militar durante a onda de protestos não deve influenciar os jurados. Na opinião dele, a Justiça está julgando os maus policiais e não a instituição da Polícia Militar.
A advogada de defesa Ieda de Souza afirma que os réus não deveriam ser condenados, entre outros fatores, porque não é possível individualizar suas condutas . Ou seja, uma vez que não há testemunhas e não foi feita a perícia nas armas dos crimes, seria impossível dizer, na prática, quem matou quem.
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