A justiça britânica decidiu nesta segunda-feira (4) não autorizar a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos — onde é acusado de espionagem pela publicação de documentos militares sigilosos há dez anos.
A juíza Vanessa Baraitser afirmou durante audiência na corte penal de Londres que recusou o pedido por motivos de saúde, por temer que o australiano de 49 anos poderia cometer suicídio.
Baraitser afirmou que, “diante de condições de isolamento quase total”, “estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o Sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio”.
Washington tem agora 14 dias para recorrer da decisão, e o representante legal do governo americano já confirmou que apresentará um recurso. A defesa solicitou a liberdade de Assange sob fiança, e o pedido será julgado na quarta-feira (6).
Os recursos devem prolongar a saga judicial que envolve o ativista desde 2010, quando o site WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais de Washington.
Entre os documentos estava um vídeo que mostrava helicópteros de combate americanos atirando contra civis no Iraque em 2007. O ataque matou várias pessoas em Bagdá, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.
O vazamento revelou também atos de tortura e outros abusos, e o governo americano alega que Assange colocou em perigo as vidas de seus informantes com a publicação dos documentos secretos sobre as ações militares no Iraque e no Afeganistão.
Os advogados do australiano também afirmam que os EUA querem transformá-lo em um castigo “exemplar” em sua “guerra contra os jornalistas investigativos” e Assange não terá um julgamento justo no país.
As audiências do processo no Reino Unidos foram realizadas em setembro, após meses de atraso devido à pandemia do novo coronavírus, e foram marcadas por protestos na porta do tribunal.
Defensores do ativista exibiam cartazes com frases como “Prendam os criminosos de guerra, libertem Julian Assange!”. No mesmo mês, o gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recebeu uma petição com 800 mil assinaturas contra a extradição.
Assange ficou refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, até ser preso em abril de 2019 no local.
Fonte: G1
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